BBI vê Bolsa do Brasil em momento de “escuridão antes do amanhecer” e aponta gatilhos

Percepção predominante do banco é que os ativos brasileiros estão baratos, embora ainda faltem catalisadores capazes de destravar uma recuperação mais consistente

Lara Rizério

Gráfico de ações e câmbio com bandeira do Brasil (Imagem elaborado com auxílio da Inteligência Artificial)
Gráfico de ações e câmbio com bandeira do Brasil (Imagem elaborado com auxílio da Inteligência Artificial)

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O mercado brasileiro atravessa um momento de cautela entre investidores internacionais, mas justamente por isso pode estar próximo de uma inflexão positiva, sendo avaliação do Bradesco BBI.

Em relatório divulgado após uma série de reuniões com investidores institucionais nos Estados Unidos e na Europa, a percepção predominante do banco é que os ativos brasileiros estão baratos, embora ainda faltem catalisadores capazes de destravar uma recuperação mais consistente.

O documento, de título Darkest Before Dawn (“Mais escuro antes do amanhecer”), aponta que o sentimento em relação ao Brasil permanece pressionado pela incerteza fiscal, pelas dúvidas sobre o cenário político de 2027 e pela força recente do setor de tecnologia nos mercados globais, que tem atraído fluxo para ações americanas e asiáticas em detrimento da América Latina.

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Apesar desse cenário, os estrategistas Ben Laidler, Pedro Grimaldi, Rodolfo Ramos e equipe mantêm visão positiva para o país. Na avaliação dos estrategistas do BBI, os preços atuais dos ativos incorporam um cenário excessivamente pessimista e não refletem potenciais gatilhos de valorização, como uma retomada dos cortes de juros, uma melhora das expectativas para as eleições de 2026 e uma eventual rotação global para fora das gigantes de tecnologia.

“O mercado brasileiro parece um clássico caso de ‘escuridão antes do amanhecer’”, afirmam os analistas. Segundo a equipe de estratégia do banco, a combinação de valuations deprimidos, sentimento negativo e posicionamento mais defensivo dos investidores cria um ambiente em que qualquer notícia menos negativa pode provocar uma reação significativa dos ativos.

Para os estrategistas, muitos investidores reduziram posições compradas em ações brasileiras e passaram a aguardar maior clareza sobre o quadro eleitoral antes de aumentar exposição ao país. Nesse contexto, o interesse tem se concentrado em setores considerados mais resilientes, especialmente financeiros, além de empresas ligadas ao mercado imobiliário de baixa renda.

O Bradesco BBI, porém, argumenta que o mercado está precificando de forma exagerada um cenário de manutenção prolongada dos juros elevados. A instituição afirma que, considerando os preços atuais do petróleo, a estabilidade do real e um quadro fiscal semelhante ao de ciclos anteriores, os modelos do Banco Central ainda indicariam espaço para novos cortes da Selic. O banco projeta taxa básica de juros de 13,5% ao fim de 2026.

Outro ponto levantado pela equipe é o potencial de alívio nos juros de longo prazo caso o próximo governo adote uma postura fiscal mais moderada. Para o banco, os rendimentos elevados dos títulos públicos indexados à inflação refletem um prêmio de risco excessivo e poderiam recuar diante de um cenário político mais previsível.

Além dos fatores domésticos, o Bradesco BBI acredita que o Brasil pode se beneficiar de mudanças no cenário internacional. Embora investidores demonstrem preocupação com um possível fortalecimento adicional do dólar e com uma postura mais dura do Federal Reserve, os estrategistas observam que ciclos de alta de juros nos Estados Unidos nem sempre resultaram em apreciação da moeda americana.

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O banco também vê o mercado brasileiro como uma espécie de proteção contra eventuais correções no setor global de tecnologia. Segundo o relatório, o país é um dos raros mercados relevantes que poderiam se beneficiar de uma rotação de investimentos para segmentos mais tradicionais caso o forte rali das ações de tecnologia perca força.

Na estratégia regional, o Bradesco BBI mantém o Brasil como sua principal aposta na América Latina. A preferência se apoia na combinação de valuations considerados entre os mais baratos do mundo, na possibilidade de cortes de juros e na opcionalidade ligada ao ciclo eleitoral. O banco afirma estar mais construtivo em ações sensíveis à queda dos juros, empresas ligadas ao mercado de capitais e estatais.

“O Brasil é a nossa principal escolha, impulsionado por taxas de juros mal precificadas e pela opcionalidade ligada às eleições, além de apresentar o valuation mais barato do mundo”, avalia.

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Além da visão positiva para o Brasil, a instituição também destaca oportunidades no Chile e no Peru. Já para a Argentina, a recomendação foi reduzida recentemente devido à frustração com o ritmo de crescimento econômico, enquanto o México permanece com avaliação neutra, embora haja expectativa de surpresas positivas relacionadas às negociações do acordo comercial USMCA.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.