BBI projeta alta de 20% do MSCI Brazil em 2026; confira os 3 catalisadores no radar

Cenário para taxas de juros, fluxo de investidores locais e ciclo eleitoral estão no radar do BBI, que projeta o MSCI Brazil a 2.045 pontos

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Painel de cotações e gráfico no celular (Crédito: Shutterstock)
Painel de cotações e gráfico no celular (Crédito: Shutterstock)

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Em relatório sobre perspectivas para a América Latina, o Bradesco BBI destaca que o mercado na região ainda tem espaço para crescer em 2026, com potencial de valorização em média de mais de 20%, à medida que os fatores que impulsionam a alta se concentram em uma tríade de eleições na América Latina, ciclos de queda das taxas de juros e reformas econômicas.

O Brasil, com recomendação overweight (OW, ou exposição acima da média), é a sua principal escolha, com o ciclo de queda de taxas de juros e as opções eleitorais sendo catalisadores para o início do ano, assim como para a Argentina (OW). Já o Chile (OW) representa uma história de crescimento estrutural. Por outro lado, mantém uma posição neutra em relação ao México, mas vendo seus catalisadores concentrados no final do ano.

A projeção é de uma alta de cerca de 20% para o índice de referência MSCI Brazil, a 2.045 pontos.

Não perca a oportunidade!

Os estrategistas do banco acreditam que o início de um ciclo de queda de juros é duplamente importante, uma vez que impulsiona as avaliações e acaba com as saídas de capital locais, juntamente com a flexibilidade do ciclo eleitoral. Enquanto isso, o 2º semestre de 2026 é mais incerto, com o mercado refém do ciclo eleitoral e dos pronunciamentos fiscais.

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O BBI ainda adicionou mais risco ao portfólio de ações ofensivas sensíveis a taxas de juros, mercados de capitais e empresas estatais por meio de Localiza (RENT3), Assai (ASAI3) e Allos (ALOS3), juntamente com a defensiva Sabesp (SBSP3).

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Fatores para 2026: Taxas, fluxos e ciclo eleitoral

A equipe de estratégia vê três fatores claros para o 1º semestre de 2026: taxas de juros, fluxo de investidores locais e flexibilidade do ciclo eleitoral que, na visão da casa, ainda não foram precificados pelos investidores. Confira abaixo:

1) Cortes nas taxas de juros – o BBI acredita que há um caminho para o primeiro corte na taxa de juros do Brasil na reunião do Copom em janeiro, com uma redução em 0,25 ponto percentual (p.p.) e mais 2,75 p.p. ao longo do ano, para um patamar ainda restritivo de 12%, dado o estímulo fiscal e de crédito contínuo. Isso é globalmente significativo, considerando as taxas reais do Brasil, líderes mundiais, e seu ciclo de grandes cortes quase único.

O BBI ressalta que a economia já está desacelerando, com as expectativas de inflação convergindo para a meta oficial de 3%, com uma banda de +/- 1,5%. Além disso, a inflação medida pelo IPCA está prevista em 3,8% para o próximo ano, impulsionada por um crescimento abaixo do potencial, uma taxa de câmbio estável em torno de R$ 5,25 por dólar e preços baixos do petróleo. “A última ata da Copom apresentou um tom mais moderado, e os dados de inflação de outubro surpreenderam negativamente. Assim, vemos um impulso duplo para as avaliações e os lucros”, reforça.

2) Fim das saídas locais – O início do ciclo de queda das taxas de juros também deve funcionar como um impulso técnico para as ações, pondo fim às saídas drásticas de ações locais para renda fixa observadas nos últimos anos. Isso levou as alocações em ações a uma mínima histórica de 10% e a participação de mercado do volume de negociação local para apenas 35%. O pico das taxas de juros em junho já desacelerou as saídas como porcentagem do total de ativos sob gestão do setor, e a história mostra que essas saídas geralmente terminam após o primeiro corte de juros, aponta. Portanto, isso deve permitir que o impacto total das entradas estrangeiras consistentes observadas este ano seja sentido. No longo prazo, os fluxos de capital local podem ultrapassar R$ 1,1 trilhão.

3) Opcionalidade eleitoral – O risco fiscal é a principal lente pela qual o mercado analisa as eleições de outubro de 2026, dada a combinação de alta da relação dívida/PIB, déficit fiscal e taxas de juros reais entre as mais altas do mundo no Brasil.

“Vemos espaço para uma opcionalidade positiva, à medida que o mercado avalia os planos dos candidatos para se ajustarem a um cenário mais sustentável a partir de 2027. Nossa análise de cenários mostra uma perspectiva assimétrica, dado o já elevado nível das taxas de juros reais. Devemos também lembrar que o início de abril será o prazo final crucial para que os candidatos renunciem aos seus cargos e possam concorrer”, aponta.

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O banco também destaca outros quatro cenários, o de i) piora das condições fiscais, implicando uma queda de 46% do MSCI Brazil em relação aos níveis atuais; ii) perspectiva fiscal tensa, com uma baixa de 18%, iii) melhora das condições fiscais, com a adoção de uma trajetória fiscal mais sustentável, levando a uma maior confiança dos investidores e levando um potencial de alta de 32% e iv) reforma com base em uma trajetória de consolidação fiscal e reformas; isso representa um potencial de valorização de 127%, impulsionado pela queda das taxas de juros reais.

Ações

Em sua carteira, o BBI continuou adicionar risco à sua carteira focada em ações sensíveis às taxas de juros, empresas com bom desempenho no mercado de capitais e empresas com influência estatal.

“Estamos adicionando ações de alto beta sensíveis às taxas de juros: Localiza, Assai e Allos, enquanto realizamos lucros com a Itaú [ITUB4], que se beneficiou de taxas de juros elevadas por um período prolongado, e removemos as ações Motiva [MOTV3] e Rumo [RAIL3], consideradas ‘substitutas de títulos’, bem como a Hapvida [HAPV3]”, avalia. Também está adicionando a Sabesp (SBSP3).

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Já as principais escolhas dos analistas do Bradesco BBI para o 1S26 (primeiro semestre de 2026) incluem mudanças notáveis, com a adição de Nubank (BDR: ROXO34), América Móvil, Axia (AXIA3) e Localiza (RENT3) entre as grandes empresas, e Direcional (DIRR3), Intelbras (INTB3), Grupo SBF (SBFG3) e Mater Dei (MATD3) entre as small caps.

“Prevemos mais um ano em que as ações de valor superarão as de crescimento e uma boa chance de as ações de pequena capitalização, que vêm sofrendo há tempos, superarem as de grande capitalização, enquanto destacamos nossa recuperação nos mercados de capitais entre os cinco temas em que a América Latina lidera o mundo”, apontam os analistas.

Large CapSmall Cap
NubankStone
CyrelaDirecional
America MovilIntelbras
AxiaENEVA
LocalizaEcorodovias
Marcopolo
ValeAura Minerals
VibraOceanPact
MercadoLibreGrupo SBF
JBS3tentos
Raia DrogasilMater Dei
CognaVitru

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.