BBI espera 2º trimestre morno para varejo e aposta em Smart Fit e C&A

Companhias deve registrar crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) abaixo da inflação ou até mesmo retração na comparação anual

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Consumidora no Centro de São Paulo (Foto: REUTERS/ Paulo Whitaker)
Consumidora no Centro de São Paulo (Foto: REUTERS/ Paulo Whitaker)

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O Bradesco BBI prevê resultados neutros a fracos no segundo trimestre de 2026 para as empresas de varejo e consumo doméstico sob sua cobertura, embora avalie que esse cenário já esteja, em grande parte, precificado pelo mercado.

Segundo o banco, um amplo grupo de companhias deve registrar crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) abaixo da inflação ou até mesmo retração na comparação anual, refletindo um ambiente de consumo ainda desafiador e pressionando as perspectivas para o setor.

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Para os analistas Pedro Pinto, Gustavo Senday e Lorenzo Marques, esse cenário, combinado a um posicionamento ainda pouco expressivo dos investidores no segmento, mantém as expectativas em níveis reduzidos e torna o setor mais sensível a eventuais surpresas positivas.

Diante desse contexto, o banco reiterou preferência por empresas que combinam avaliações mais atrativas e maior visibilidade de resultados, destacando Smart Fit (SMFT3) e C&A (CEAB3) entre suas principais apostas no setor.

C&A Modas (CEAB3)

O Bradesco BBI reiterou recomendação outperform para C&A, com preço-alvo de R$ 15, ante R$ 18 anteriormente. O banco vê um potencial de valorização de 55% para os papéis.

Analistas esperam que a varejista apresente um conjunto de resultados satisfatórios, com o crescimento das vendas nas mesmas lojas do segmento de vestuário em 4%, apresentando uma leve desaceleração em relação ao trimestre anterior, mas com aceleração em uma base comparativa de dois anos, considerando a base de comparação difícil (SSS de 17,0% no 2º trimestre de 2025).

Em termos de rentabilidade, a margem bruta do segmento de vestuário deve permanecer praticamente estável em relação ao ano anterior, impulsionada pela consolidação da precificação dinâmica; em uma base consolidada, a margem bruta do varejo deve aumentar 110 pontos-base, devido à maior participação do segmento de vestuário.

Por outro lado, o banco vê as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) crescendo em linha com a inflação, levando a uma queda de 70 pontos-base no EBITDA ajustado consolidado (excluindo IFRS) em relação ao ano anterior.

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Lojas Renner (LREN3)

Para as ações da Lojas Renner, o banco reiterou recomendação neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 18 para R$ 17. Mesmo assim, as ações ainda apresentam um potencial de valorização de 27%, segundo o BBI.

O crescimento da receita bruta da empresa (vendas nas mesmas lojas de 3%) deve ser impactado por bases de comparação desfavoráveis e por uma ligeira discrepância nas temperaturas sazonais (inverno atrasado) durante o trimestre.

Riachuelo (RIAA3)

Para a Riachuelo, o banco reiterou recomendação outperform, mantendo o preço-alvo em R$ 13. Segundo o BBI, as ações apresentam potencial de valorização de 60%, um dos maiores do setor.

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O banco projeta que os ganhos de produtividade continuem a sustentar o desempenho superior da varejista em SSS em comparação com seus pares, enquanto a implementação de novas capacidades (melhor produtividade da fábrica e logística aprimorada) deve sustentar a melhoria contínua na rentabilidade do varejo, que deve ser parcialmente compensada por investimentos em despesas gerais e administrativas no nível da margem EBITDA.

Assaí (ASAI3)

O Bradesco BBI manteve recomendação outperform para o Assaí e reiterou preço-alvo de R$ 11 para o fim de 2027, indicando potencial de valorização de 32% para as ações.

Analistas preveem mais um trimestre fraco, marcado por uma queda ainda significativa nas vendas nas mesmas lojas, visto que o cenário macroeconômico desafiador continua a impactar a demanda.

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Em relação à rentabilidade, a expansão e a consolidação dos serviços devem continuar a impulsionar o aumento da margem bruta, enquanto a redução da alavancagem operacional e os investimentos em novas iniciativas (como produtos farmacêuticos, novas categorias, canal digital, etc.) devem impactar o EBITDA ajustado.

Grupo Mateus (GMAT3)

O Bradesco BBI manteve recomendação outperform para o Grupo Mateus, embora tenha reduzido o preço-alvo de R$ 9 para R$ 6. Ainda assim, o banco estima um upside de 56%, o maior entre as companhias analisadas.

O Grupo Mateus deverá apresentar mais um trimestre desafiador, com deterioração das tendências de vendas nas mesmas lojas, visto que o fraco ambiente de consumo – com maior pressão no Nordeste – mais do que compensou a aceleração da inflação de alimentos.

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Com relação à rentabilidade, o BBI espera que o EBITDA ajustado diminua 90 pontos-base em relação ao ano anterior, uma vez que a redução da alavancagem operacional mais do que compensa as iniciativas de otimização de despesas gerais e administrativas do varejista.

Magazine Luiza (MGLU3)

Para o Magazine Luiza, o banco reiterou recomendação neutra e reduziu significativamente o preço-alvo, de R$ 15 para R$ 6. Apesar do corte, o novo preço ainda representa um potencial de alta de 22% para as ações.

A Magazine Luiza deve apresentar mais um conjunto de resultados fracos, com receita bruta praticamente estável, visto que o bom desempenho das lojas físicas deverá ser mais do que compensado pelo desempenho ainda desafiador do online, devido ao cenário competitivo acirrado.

Já as margens bruta e EBITDA deverão permanecer praticamente estáveis ​​em relação ao ano anterior, com a queda na receita bruta impedindo ganhos de alavancagem operacional.

Alpargatas (ALPA4)

O Bradesco BBI manteve recomendação neutra para a Alpargatas, com preço-alvo de R$ 14 para o fim de 2027, ante R$ 12 anteriormente. O novo preço implica um potencial de valorização de 15% em relação ao fechamento mais recente.

O crescimento da receita bruta deve continuar impulsionado pelo Brasil, devido aos sólidos volumes e à combinação de preços, enquanto as operações internacionais (-7%) devem ser impactadas por ajustes de volume decorrentes da parceria com a Eastman nos EUA e pela valorização do real. Ao mesmo tempo, investimentos mais robustos em marketing durante a Copa do Mundo devem pressionar o EBITDA consolidado no Brasil.

Azzas 2154 (AZZA3)

Para a Azzas 2154, o banco reiterou recomendação outperform, mas reduziu o preço-alvo de R$ 42 para R$ 27. Apesar do corte, o novo valor ainda representa um potencial de alta de 46%.

O BBI espera que a Azzas 2154 apresente mais um conjunto de resultados desafiadores, com as vendas brutas ainda sob pressão, visto que a empresa continua a ajustar seu desempenho de vendas nas unidades de negócios de Calçados e Bolsas e de Produtos Básicos, além de enfrentar comparações difíceis, especialmente no segmento de Moda Feminina. Em relação à rentabilidade, a desalavancagem operacional deve continuar a pressionar a margem EBITDA ajustada (IFRS), levando a uma queda de 300 pontos-base em relação ao ano anterior.

Grupo SBF (SBFG3)

Para o Grupo SBF, o banco reiterou recomendação outperform e cortou o preço-alvo de R$ 17 para R$ 14. O novo valor implica potencial de valorização de 45%.

Analistas projetam um sólido desempenho da receita em ambas as Unidades de Negócio, impulsionado pela forte sazonalidade da Copa do Mundo. Em termos de rentabilidade, a margem bruta consolidada deverá aumentar 35 pontos-base, visto que o câmbio continua a impedir uma melhoria mais expressiva na Fisia, enquanto a alavancagem operacional deverá contribuir para a melhoria do EBITDA ajustado. Por outro lado, eles esperam que a alavancagem permaneça estável em relação ao trimestre anterior, dada a dinâmica do longo ciclo de conversão de caixa da SBFG.

União Pet (AUAU3)

O Bradesco BBI manteve recomendação neutra para o União Pet e reduziu o preço-alvo de R$ 5 para R$ 4. O potencial de alta estimado para as ações é de 26%.

O banco prevê um crescimento consolidado da receita bruta de aproximadamente 9% em relação ao ano anterior, impulsionado por um aumento de cerca de 7% nas vendas em lojas físicas e um maior dinamismo no digital, que deverá superar o crescimento geral dos negócios em cerca de 12%.

Em termos de rentabilidade, analistas projetam uma expansão de 20 pontos-base na margem bruta, visto que as sinergias relacionadas à fusão ainda não devem se materializar de forma significativa. Da mesma forma, o trio não prevẽ que as sinergias de despesas gerais e administrativas impactem os resultados deste trimestre, o que levará a uma expansão da margem EBITDA ajustada (excluindo IFRS) em linha com a margem bruta.

Natura (NATU3)

O Bradesco BBI manteve recomendação neutra para a Natura e reiterou o preço-alvo de R$ 10, uma vez que a empresa deve apresentar mais um conjunto de resultados pressionados.

Em relação à rentabilidade, o EBITDA deve cair 410 pontos-base em relação ao ano anterior, impactado pela desalavancagem operacional e pela transição tributária do ICMS.

SmartFit (SMFT3)

A Smart Fit segue entre as principais apostas do banco. O Bradesco BBI manteve recomendação outperform e elevou o preço-alvo de R$ 30 para R$ 33, indicando potencial de valorização de 63%, o maior entre as empresas analisadas.

A rede de academias devem registrar mais um conjunto de resultados sólidos, impulsionados pela expansão orgânica, pelo forte crescimento do TotalPass (TP) e pela maturação das gerações anteriores de expansão.

Em termos de resultados, as vendas líquidas devem crescer 23% em relação ao ano anterior, com a margem bruta expandindo 45 pontos-base, sustentada pela maior penetração do segmento “Brasil – Outros”, principalmente devido ao TP, o que, por sua vez, deve levar a uma margem EBITDA praticamente estável, visto que os investimentos no TP compensam a maturação da expansão.

Vivara (VIVA3)

Para a Vivara, o banco reiterou recomendação neutra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 36 para R$ 28. Ainda assim, o novo valor representa um potencial de alta de 27% para as ações.

A empresa deverá apresentar um crescimento sólido da receita bruta, impulsionado pela expansão da Life, visto que o desempenho das vendas nas mesmas lojas deverá desacelerar para ambas as bandeiras.

Em relação à rentabilidade, o banco espera uma queda de 100 pontos-base na margem bruta em relação ao ano anterior, devido à comparação com bases mais desfavoráveis, enquanto o EBITDA deverá sofrer pressão de 230 pontos-base, em decorrência da aceleração da expansão e dos reforços na estrutura corporativa e nos investimentos em marketing.