Publicidade
A sessão pós-resultado do Banco do Brasil (BBAS3), na última quinta-feira (12), foi de forte volatilidade para as ações. Os papéis dispararam quase 8% na máxima e caindo 1,5% no pior momento, fechando com ganhos de 4,5% – mesmo com questionamentos sobre a qualidade dos ativos.
O banco divulgou na véspera lucro acima do esperado para o quarto trimestre, mas mostrou piora na inadimplência. A administração também afirmou esperar uma melhora nos índices de atraso da carteira agro, principal detrator do resultado do BB, apenas no segundo semestre. O banco ainda estimou em R$ 5 bilhões o aporte para antecipação da contribuição ao FGC.
Já nesta sexta-feira (13), um dia após a primeira reação, as ações do BB chegaram a cair mais de 6%, amenizaram as perdas, mas ainda assim tiveram leves perdas de 2,31%, a R$ 25,43, com analistas seguindo sua visão de cautela com os ativos após o 4T25.
O JPMorgan realizou teleconferência com a equipe de Relações com Investidores do Banco do Brasil: Janaina Storti (RI) e Marcelo Oliveira (Especialista em RI).
O preço das ações apresentou volatilidade notável, com um tom mais negativo por parte dos investidores locais – principalmente preocupados com o momento da recuperação da qualidade dos ativos, potenciais problemas estruturais no agronegócio e a queda nos índices de cobertura.
Leia mais:
- Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileira
- Temporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olho
“Em contrapartida, os investidores estrangeiros se mostraram geralmente mais construtivos, considerando o banco subvalorizado em relação aos seus pares globais e atribuindo a maioria dos desafios a natureza cíclica”, apontam os analistas, mantendo cautela e reiteraram recomendação neutra. Em particular, acredita que o volume significativo de empréstimos prorrogados (R$ 64 bilhões), empréstimos renegociados (R$ 80 bilhões) e os recentes R$ 35,5 bilhões da MP 1.314 de renegociação das dívidas rurais manterão esse debate relevante por vários anos.
O Goldman Sachs, por sua vez, manteve recomendação neutra, ainda que elevando o preço-alvo de R$ 21 para R$ 24. A recomendação é por conta da avaliação descontada das ações e a potencial inflexão nos resultados, embora a incerteza permaneça relativamente alta e ainda veja riscos de queda nas estimativas de consenso. Na visão do banco americano, a avaliação já precificou um ritmo de crescimento de lucros mais fraco.
“Seguimos com nossa estimativa de lucro líquido recorrente em R$ 24,3 bilhões em 2026, aumentando-a em 4% para R$ 30,0 bilhões em 2027, principalmente devido à redução das despesas operacionais e a uma menor alíquota efetiva de imposto. No entanto, reduzimos nossa projeção de lucro recorrente para 2028 em 1%, para R$ 33 bilhões, devido à redução de 5% na receita líquida de juros, resultante principalmente de uma composição de menor rendimento”, avaliam os analistas do Goldman.
Continua depois da publicidade
As estimativas revisadas implicam em ROEs (Retorno sobre Patrimônio Líquido) de 12,5% em 2026, 14,3% em 2027 e 14,6% em 2028. Agora, espera que os lucros aumentem 17% em 2026, 23% em 2027 e 10% em 2028. Finalmente, as estimativas estão agora 1% abaixo do consenso da Bloomberg em 2026, 2% abaixo em 2027 e 4% abaixo em 2028.