BBAS3: ação sobe no ano com atenção às eleições – mas analistas seguem cautelosos

Em análises recentes, Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI reiteraram recomendação neutra para os ativos BBAS3

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As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registram leve alta de 3,7% no ano e de 4,45% no mês, com investidores de olho nas eleições, mas perdeu força nas últimas sessões conforme analistas seguem cautelosos com as perspectivas para o banco estatal.

Em análises recentes, Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI reiteraram recomendação neutra para os ativos BBAS3.

O JPMorgan revisou seus números considerando os resultados do 2º trimestre de 2026 e a perspectiva ainda desafiadora para o crédito ao agronegócio.

Para 2026, os analistas cortaram a estimativa de lucro recorrente em 8%, para R$ 16,879 bilhões — uma queda de 18% em relação ao ano anterior e implicando um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de cerca de 9%. Para 2027, a estimativa de lucro recorrente foi reduzida em 12%, para R$ 23,524 bilhões – ainda uma recuperação de 39% na base anual e implicando um ROE de cerca de 12%.

Os principais fatores para essa revisão para baixo são: (i) maiores provisões – a inadimplência (NPL) de 90 dias em cartões de crédito saltou 7,5 pontos percentuais no último trimestre; (ii) menor margem financeira (NII) de mercado; e (iii) receitas mais fracas provenientes de participações societárias (ou seja, BB Seguridade, ou BBSE3). Agora, as projeções do JPMorgan estão 2% e 6% abaixo do consenso da Bloomberg para 2026-2027 (com base em 11 estimativas).

Assim, reduziram o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 25 para R$ 22 por ação, mantendo recomendação Neutra. “Embora identifiquemos desafios para o Banco do Brasil, acreditamos que considerar a volatilidade eleitoral representa a abordagem mais equilibrada para o ativo”, conclui.

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O Itaú BBA, por sua vez, elevou levemente o preço-alvo para BBAS3, de R$ 21 para R$ 23, mas manteve recomendação marketperform (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente à neutra).

“Fizemos apenas alterações pontuais nas projeções para o Banco do Brasil, uma vez que nossas premissas de provisão permanecem acima do guidance (projeções oficiais) do banco”, apontam os analistas do BBA.

A principal incerteza continua sendo a carteira do agronegócio, cuja perspectiva depende, em parte, da adesão à MP 1.376. A qualidade dos ativos de varejo também merece atenção: o índice de inadimplência (NPL) acima de 90 dias para pessoas físicas subiu 159 pontos-base, atingindo 8,41%, enquanto o índice de inadimplência em cartões de crédito chegou a 14,6%. A administração projeta um custo de risco abaixo de 5% em 2027 e de aproximadamente 3,5% no longo prazo, pontua.

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Já o Bradesco BBI, em análise apontando que os programas governamentais devem desacelerar no 4T26, mas riscos para a qualidade dos ativos permanecem limitados, manteve recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 20. Os analistas da casa mantiveram ainda recomendação de compra para o Itaú (ITUB4) e ABC Brasil (ABCB4) e neutra para Santander Brasil (SANB11).

A maior parte dos analistas consultados pela Reuters, por sinal, está cautelosa com os ativos. De 11 casas consultadas, apenas 3 possuem recomendação de compra, 6 possuem recomendação neutra e 2 de venda, com preço-alvo médio de R$ 23,45 (ou potencial de alta de 6,40% em relação ao fechamento da véspera).

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.