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A perda do Banco do Brasil (BBAS3) de R$ 3,6 bilhões registrada no balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), segundo apurou o Estadão/Broadcast, não envolve diretamente a Braskem (BRKM5), mas ações da empresa que estavam em poder do banco, dadas como pela Novonor (ex-Odebrecht), que era a controladora da petroquímica.
Em dezembro de 2025, a gestora IG4 Capital fechou um acordo para adquirir as dívidas garantidas por ações da Braskem, avançando sobre o controle da empresa. Essa operação envolveu, além do BB, ações também detidas por Itaú, Santander e Bradesco, totalizando cerca de R$ 20 bilhões.
O BB, porém, não explicou exatamente como se deu essa operação, e porque foi lançada como inadimplência. O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do BB, Felipe Prince, disse apenas, em entrevista à imprensa, sem citar o nome da empresa, que a dívida foi repassada a um fundo que compra crédito de maior risco, chamados no mercado de “gestoras de situações especiais”.
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“É um caso antigo, onde algumas soluções foram tentadas e acabamos não conseguindo implementá-las no passado”, disse. Ele afirmou que o banco criou uma estrutura para viabilizar a regularização desse crédito em 2025. “Durante as negociações, a operação ficou inadimplente”, disse, sem dar mais detalhes.
Prince afirma que esse caso específico não deve gerar novos impactos no primeiro trimestre de 2026. O caso afetou o índice de cobertura para créditos de liquidação duvidosa do banco, que recuou a 155,4% no quarto trimestre. Sem o caso envolvendo a Novonor, o indicador ficaria em 164,7% — ou seja, para cada R$ 1,00 há R$ 1,64 para cobrir eventuais perdas.
O Banco do Brasil emitiu nota sobre o tema nesta sexta-feira. Em esclarecimento sobre caso específico de inadimplência, o banco afirmou que não tornaria público o relacionamento e quaisquer operações de seus clientes.
“Conforme divulgação de resultados referentes ao quarto trimestre de 2025, realizada após o fechamento do mercado em 11 de fevereiro de 2026, o Banco do Brasil reafirma que “a inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,17%, índice impactado no período por um caso específico na carteira de Títulos e Valores Mobiliários (TVM) de uma empresa do segmento Atacado no valor de R$ 3,6 bilhões. Desconsiderando esse caso, o indicador seria de 4,88%”, afirmou o banco.
Confira nota do Banco do Brasil na íntegra:
Operação foi regularizada em janeiro de 2026
Conforme divulgação de resultados referentes ao quarto trimestre de 2025, realizada após o fechamento do mercado em 11 de fevereiro de 2026, o Banco do Brasil reafirma que “a inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,17%, índice impactado no período por um caso específico na carteira de Títulos e Valores Mobiliários (TVM) de uma empresa do segmento Atacado no valor de R$ 3,6 bilhões. Desconsiderando esse caso, o indicador seria de 4,88%.
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Em respeito à lei do sigilo bancário, é expressamente proibido que qualquer instituição financeira torne público o relacionamento e as condições de quaisquer operações de seus clientes, exceto em situações que envolvam determinação judicial.
Como boa prática bancária, o Banco destacou na live com investidores e analistas de mercado, disponível para toda a sociedade no canal da Instituição no YouTube – trecho entre 1:30:00 e 1:32:00, que:
“Esse caso é um TVM [Títulos e Valores Mobiliários]. Então, a partir dessa divulgação, nós estamos incluindo os TVMs com características de crédito na nossa carteira expandida. Ele já era problemático e, adequadamente, provisionado há alguns anos.
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Essa operação ficou inadimplente no 4º tri de 2025, muito em fruto de uma negociação em andamento que logrou êxito no final de 2025, mas que os instrumentos do Banco do Brasil foram pactuados no início de 2026. Por isso, nós achamos melhor deixar correr na inadimplência em 2025, muito embora isso não tenha trazido despesa de provisão associada, porque o ativo já estava adequadamente provisionado, como eu disse.
A negociação deu certo, a operação foi regularizada agora, em janeiro, e essa operação foi cedida a terceiros. Então, foi isso que aconteceu. A gente não pode abrir o nome do cliente, mas acho que vocês conseguem fazer uma associação com os movimentos que houve na mídia.
Estamos muito tranquilos quanto a isso. Não é nada novo, é uma TVM que já cursava no nosso balaço há muito tempo, adimplente, inadimpliu no 4º tri e as negociações foram frutíferas e implementadas entre dezembro e janeiro. Os instrumentos, especificamente, do Banco do Brasil foram assinados em janeiro e, com isso, a gente cede a operação. E vocês já vão ver no balanço do 1º tri todo o desempenho da nossa carteira PJ [Pessoa Jurídica] limpo desse efeito”.
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O BB lamenta e refuta veementemente a circulação de informações inverídicas e suspeições sem qualquer fundamento, que circularam em mídias sociais ao longo desta quinta-feira, 12. Sobre isso, o Banco orienta que toda e qualquer informação seja obtida por canais oficiais.
As informações financeiras do BB são publicadas seguindo os mais altos rigores de governança, sendo o BB reconhecido por isso pelo mercado, e estão disponíveis a qualquer público de forma transparente em www.bb.com.br/ri. No 4º trimestre de 2025, o BB apresentou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, com aumento de 51,7% em relação ao trimestre anterior e superando a expectativa do mercado.
