[BB] Comentário da Semana: juro começa a cair e mercado volta a se beneficiar

Queda da Selic deve marcar início de um ciclo e retomada do crescimento; crise política foi colocada em segundo plano

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SÃO PAULO – A segunda semana de setembro foi positiva para o mercado brasileiro, com o mercado recebendo de forma positiva o início do ciclo de queda da taxa Selic e colocando em segundo plano o panorama político. No cenário externo, os efeitos do furacão Katrina seguem sob o foco dos investidores, mostrando seu impacto sobre os indicadores da economia dos EUA.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em alta de 1,73%, com o Ibovespa alcançando um novo recorde histórico, enquanto o dólar comercial registrou leve recuo de 0,65%. Os juros futuros, por sua vez, encerraram a semana em leve alta, enquanto risco país atingiu seu patamar mais baixo desde 1997.

Cenário interno: Copom reduz juro
A semana foi marcada pela reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que na quarta-feira decidiu pelo corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic e deu início ao esperado ciclo de queda do juro básico no país. A adoção de uma política monetária mais expansionista deve significar taxas de juros mais baixos na ponta final, tanto para os consumidores quanto para os empresários.

A decisão da entidade, no entanto, foi considerada conservadora pelo mercado, que enxergava condições técnicas para um corte mais robusto da Selic. A justificativa era que, com a evolução dos preços comprovadamente sob controle e o desaquecimento da atividade industrial, o Copom deveria manter uma postura mais agressiva.

Entre os indicadores de inflação, destaque para a 17º queda consecutiva das projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao final do ano do relatório Focus, além das deflações medidas pelo IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) e pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

Cenário externo: ainda o Katrina
No cenário externo, os danos causados pelo furacão Katrina continuam no centro das atenções, tendo levado o número de pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos ao seu maior patamar em dois anos. Os analistas esperam outro grande crescimento na próxima medição, mas afirmam que o indicador deve se normalizar em aproximadamente um mês.

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Para tanto, o presidente norte-americano, George W. Bush, planeja realizar um ambicioso plano de recuperação da região afetada pelo desastre, que pode custar até US$ 200 bilhões, dos quais US$ 63 bilhões já foram aprovados pelo Congresso.

No que diz respeito à evolução dos preços, os índices de inflação tanto ao consumidor quanto ao produtor mostraram que os preços seguem sob controle nos Estados Unidos. Ainda assim, as especulações de que o Fed poderia interromper o ciclo de elevação do juro ganharam força durante a semana.

Dólar volta a cair e bolsa encerra a semana em leve alta
O dólar comercial encerrou a semana em queda de 0,65%, sendo cotado a R$ 2,295 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em leve valorização de 0,04%. A expectativa de uma nova captação externa do Tesouro Nacional pressionou a moeda durante a semana, no entanto, a possibilidade intervenção do BC limitou as perdas.

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No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,67% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,66% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,45%, pouco abaixo da taxa de 19,52% da semana anterior.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em alta de 1,73%, sendo cotado a 29.816 pontos. O índice esteve bem próximo de alcançar um novo recorde durante toda a semana, o que acabou ocorrendo nesta sexta-feira, impulsionado pelo início do ciclo de queda da Selic.

Próxima semana: reunião do Fed e ata do Copom
A terceira semana de setembro terá a reunião do Fed, que na terça-feira decide a nova taxa básica de juro da economia norte-americana. A manutenção da política gradualista de elevação dos Fed Funds é colocada em questão pelos estragos causados pelo Katrina.

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No Brasil, destaque para a divulgação da ata do Copom, na quinta-feira. No mesmo dia, saem o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) e a Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).