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O Banco do Brasil (BBAS3) ainda apresentou efeitos de risco de crédito agravado no primeiro trimestre de 2026, mas a geração de negócios segue ganhando tração, segundo afirmou o CFO da companhia, Geovanne Tobias. Ainda assim, a possibilidade de dividendos extraordinários está descartada pela administração, dado o contexto atual.
O executivo admitiu que o lucro no período veio aquém do esperado pelo banco, mas que agora estaria “tudo azeitado” e o momento seria de geração de negócios.
Os papéis do banco chegaram a abrir com queda de 3%, mas zeraram ao longo da teleconferência, que se encerrou pouco antes das 10h40 (horário de Brasília). A administração ainda fala nesta manhã em coletiva de imprensa.
Mesmo com pontos de pressão ainda presentes no crédito do agro, o banco descarta deixar reduzir a exposição ao setor e a administração já afirmou isso em mais de uma ocasião. “Banco do Brasil permanecerá ao lado dos produtores rurais”, afirmou o CFO. A expectativa da administração é que a carteira de agro fique ao redor de R$ 410 bilhões, com melhor resposta de inadimplência no setor a partir do 2º semestre.
Além das dificuldades de produtores, Tobias também falou incertezas e desafios causados pelo ambiente geopolítico como impactos para os resultados do banco e para a revisão das projeções corporativas para 2026.
“Hoje existem muito mais incertezas e mais desafios do que quando começamos o ano. O ambiente político impactou o cenário macroeconômico”, afirmou.
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Guidance menor
O BB divulgou seus dados do primeiro trimestre de 2026, com números fracos como esperado por analistas. Entre as divulgações da noite desta quarta-feira (13), o relatório sobre o guidance, com ajustes em linhas como lucro líquido e custo de crédito, trouxe ainda maior cautela para o mercado.
“Não gostaríamos de atualizar o guidance agora, mas o mundo onde fizemos esse guidance não é o mesmo de agora”, diz o CFO. O executivo descartou totalmente a possibilidade de dividendos extraordinários considerando o cenário atual.
Sobre o retorno sobre patrimônio (na sigla ROE, em inglês), o vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, Felipe Prince, afirmou que o valor demonstrado no 1º trimestre ficou “aquém do que o banco pode entregar, como fruto do agravamento do risco”. O guidance para a linha foi mantido entre 9% e 11%.
“Nossa estratégia de crescimento em pessoa física é a melhor forma que temos para melhorar a rentabilidade do banco, fazer mais retorno. O cuidado que temos que ter aqui é focar naquelas operações de risco/retorno mais ajustado”, afirmou Tobias.
Ele destacou que o crédito consignado privado é um vetor de forte crescimento, enquanto em cartão de crédito apontou que o foco deve ficar na alta renda. “Nós reduzimos muito o apetite (no segmento de cartões) para as pessoas físicas de menor renda, onde o risco está muito mais agravado”, afirmou, ponderando, contudo, que o Novo Desenrola traz expectativa de melhora na adimplência.
(com Reuters)
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