Barril de petróleo a US$ 60 é um preço que a economia dos EUA pode pagar, diz Moody’s

Forte avanço desde o início deste ano pode trazer novas preocupações, mas agora o cenário não é mais o mesmo

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SÃO PAULO – Alguns acontecimentos econômicos deixam sequelas, como a inflação no Brasil, as crises financeiras e, particularmente, a disparada recente do preço do petróleo. No entanto, o que antes seria tido como motivo de preocupação, hoje diz o contrário.

Quando o assunto é crise econômica e recessão, alguns pontos demandam maior cautela. No início deste ano, a cotação do barril de petróleo WTI, negociado no pregão eletrônico da Nymex, estava próximo à casa dos US$ 30; grande diferença em relação aos US$ 147 de julho de 2008.

No entanto, a partir daí os preços inverteram a sua tendência e superaram pela primeira vez em seis meses o patamar de US$ 60. Nesse sentido, uma pergunta surgiu: será que veremos uma outra disparada? Isso poderia impactar negativamente na recuperação da economia global?

Não é mais o mesmo

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Porém, segundo John Lonski, economista chefe da Moody’s Analytics, dessa vez não é o caso. Em sua visão, essa alta dos últimos meses pode inclusive impedir um novo rali do petróleo. “Esse (US$ 60 o barril) é um nível que a economia dos Estados Unidos pode suportar”, afirmou ele.

Vale ressaltar também que atualmente os preços estão muito abaixo daqueles registrados em meados de 2008, oferecendo ainda bastante espaço para novas altas. Mas, antes da afirmação despertar alguma preocupação, os analistas já excluem a possibilidade de uma nova dispara desenfreada.

Para causar algum impacto sobre a economia, o preço do petróleo deveria atingir a região dos US$ 100, e o galão de gasolina em US$ 3, disse Lonski. Entretanto, isso não deverá acontecer logo, já que, mesmo com as expectativas de uma recuperação, os fundamentos permanecem ruins. Há muito mais oferta do que demanda no mercado.

Sinais de recuperação

O ponto mais importante dessa história é que a economia global não está “caindo em um abismo” e existem sinais concretos, mesmo se apenas do início, de uma recuperação. Além disso, essa alta dos preços deve impulsionar os investimentos do setor. “Você precisa de US$ 60 para ter novos investimentos”, disse o economista.

“Quanto maior o tempo que (as cotações) ficarem abaixo de US$ 60, ou até US$ 80, maior a possibilidade que os preços disparem e criem novos problemas para todos daqui a uns dois anos”, concluiu ele. Mesmo assim é fundamental frisar que, conforme apontado pela história, raramente o petróleo se mantém no mesmo preço por muito tempo.