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SÃO PAULO – A discussão sobre as operações de high frequency trading no Brasil realizada no Brasil Investment Summit mostrou que, apesar dos avanços e esforços da BM&F Bovespa em facilitar os instrumentos necessários para esse tipo de investimento, ainda restam diversas barreiras que impedem um avanço mais consistente.
João Lauro Amaral, da BM&F Bovespa, e Robert Ray, do CME Group, detalharam as estratégias da bolsa para ampliar as operações de high trading. “Queremos que seja algo difundido entre todos os tipos de ativo, não só em derivativos – onde já temos uma experiência bem sucedida”, afirmou Amaral. Segundo ele, será estabelecido um sistema especial de taxas, de maneira a diminuir os custos de transação – quanto mais se opera, menos se paga.
O plano é que haja uma única plataforma para os trades de alta frequência até 2012. “Acreditamos que esses traders e esse tipo de negócio vão substituir os tradicionais formadores de mercado”, explicou Amaral. “Estamos tentando melhorar a estrutura do mercado, e acho que estamos na direção correta”, afirmou Ray.
“Esse avanço do trading eletrônico será muito positivo para a BM&F Bovespa, e deve impulsionar os ativos BVMF3”, ressaltou Bruno Freitas Miranda, da Mira Capital. Para Miranda, o custo das transações já vem diminuindo desde a abertura de capital da empresa, por pressão dos acionistas – que também ajudaram a melhorar a estabilidade do sistema. “Eles têm investido bastante”, completou o gestor.
Barreiras
Entretanto, não faltam barreiras pela frente. “Eles estão investindo, nós estamos esperando”, afirmou Alexandre Rentería, da Polo Capital Management.
“Há muito apetite pelo Brasil. Os spreads são muito interessantes, e é um lugar maravilhoso tanto em ações e derivativos quanto em commodities”, ressaltou Julie El-Tehar, do Credit Suisse. Mas ela lembrou também que o fluxo de investimentos ainda é limitado e que, por hora, ela não vê a proliferação de fornecedores desse tipo de investimento. “As barreiras para o mercado de high frequency devem ser reduzidas – de maneira responsável, é claro”, disse.
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“Estamos no meio de uma curva de aprendizado”, justificou Amaral. “Tínhamos 30 mil trades por dia, e atualmente temos 100 mil. E replicar as regulações do mercado de derivativos para o mercado de ações não é simples, e leva tempo”.