Barclays lista possível caminho da Telefónica para integrar Vivo e Telesp

A aquisição da participação da Portugal Telecom foi só o começo; considerando cenário, banco muda target de ADRs da Telesp e Vivo

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SÃO PAULO – O fim da novela da negociação entre a Telefónica e Portugal Telecom pelo controle acionário da Vivo (VIVO4) foi só o começo da longa caminhada da empresa espanhola na consolidação do setor de telecomunicações do País. Caminho que, segundo o Barclays Capital, passa pela criação da Telefonica do Brasil e a sua listagem no Novo Mercado da Bovespa. 

Os analistas do banco britânico, Michel Morin, Daniel Spilberg, Jonathan Dann e JP Davids projetam que, para atingir seus objetivos e destravar a maior quantidade possível de sinergias entre sua operação móvel e fixa, a companhia deve simplificar sua estrutura de capital. Para explicar como isto se dará, eles delinearam um plano em oito passos mostrando como a Telefónica irá integrar as atividades de suas subsidiárias brasileiras, a saber, a Vivo e a Telesp (TLPP4).

O plano
A meta final da Telefónica, explicam eles, é ter uma só entidade listada em bolsa que combine as operações móveis e fixas. Contudo, os analistas deixam claro que o processo de integração não precisa ser rápido, podendo demorar mais de um ano para se concretizar. 

O primeiro passo da Telefónica seria a compra da participação da Portugal Telecom na Brasilcel, controladora da Vivo, e as ações ordinárias pertencentes aos acionistas minoritários da empresa, gerando sinergias na Espanha, onde ela poderá deduzir esses valores de seus impostos.

Logo após, o Barclays sugere que a companhia transfira a Brasilcel da Holanda para a Espanha. O terceiro passo seria a integração da empresa na Telefónica Internacional ou uma de suas subsidiárias, aumentando o ritmo de captura de sinergias. 

Saindo da Europa e voltando o foco para o Brasil, os analistas sugerem a capitalização da São Paulo Telecomunicações, controladora da Telesp, visando a entrada da Telefónica Internacional no quadro de controle da empresa usando ações da Vivo. 

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Com a São Paulo Telecomunicações sob sua tutela, a Telefónica Internacional pode repassar para ela as dívidas emitidas pela companhia espanhola, quando da aquisição da participação da Portugal Telecom na Vivo. No sexto passo, o nome da São Paulo Telecomunicações seria mudado para Telefónica do Brasil. 

As ações da nova empresa seriam trocadas com os acionistas da Vivo e da Telesp, a preço de mercado, e listadas no segmento Novo Mercado da Bovespa. As minorias que rejeitarem o swap receberiam o valor os seus direitos de retirada na seguinte correspondência, de acordo com os cálculos do Barclays, R$ 19,60 por ação da Telesp e R$ 23,95 por ação da Vivo. Por fim, a companhia integraria a Telesp com a Vivo para se beneficiar dos benefícios fiscais, avaliados em aproximadamente R$ 1,35 bilhão.  

Confira como o Barclays acredita que ficará a estrutura de capital da empresa ao final do processo:

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Fonte: Barclays Capital

Targets e recomendações díspares
Vale destacar que, avaliando o cenário à frente, o banco elevou a recomendação para os ADRs (American Depositary Receipts) da Telesp, que passam a ser classificadas como overweight – expectativa de desempenho superior ao universo de cobertura setorial do banco nos próximos 12 meses – com novo preço alvo de US$ 26, contra os US$ 18 da meta anterior. O valor indica um upside de 18,5% sobre o fechamento desta quinta-feira (26). 

Em contrapartida, os ADRs da Vivo tiveram seu preço-alvo rebaixado de US$ 25 para US$ 24, potencial de valorização de 0,46% sobre a última sessão. A recomendação segue como underweight – expectativa de desempenho inferior ao universo de cobertura setorial do banco nos próximos 12 meses.