Barclays eleva preço-alvo de OHL Brasil, mas mantém recomendação neutra

Empresa possui fatores preocupantes, como a possibilidade de ajuste em contratos de concessão

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SÃO PAULO – O Barclays elevou o preço-alvo para as ações da OHL Brasil (OHLB3), de R$ 15,30 ajustado depois do desdobramento, para R$ 18,00. Esse novo preço-alvo garante um potencial teórico de 6,19% frente ao fechamento da última quarta-feira (20). 

A recomendação, porém, permaneceu em equal-weight (alinhado com o mercado). A equipe de análise do banco britânico, composta por Daniel Spillberg, Felipe Vinagre e Guilherme Vilazante, ressalta que há fatores de preocupação em relação aos papéis da empresa. Uma delas é caso de os contratos de concessão da empresa precisarem ser balanceados por conta dos atrasos nos investimentos previstos. 

Aquisição pela Abertis
Contudo, uma das maiores incerteza está sobreo os efeitos da aquisição do controle pela Abertis. A compra foi realizada em abril, mas a empresa adquirente já se pronunciou dizendo que não deve pagar a mesma quantia oferecida aos controladores para os minoritários. Essa quantia, de R$ 17,89 por ação, é bem próxima do preço-alvo do Barclays.

“Acreditamos que a Abertis vá ter que oferecer os direitos de tag-along para andar adiante com a transação e concluir a aquisição”, afirmam os analistas. No entanto, é possível que essa transação envolva a troca por ações da Abertis também, o que faz com que a negociação seja menos atraente aos olhos do Barclays. Além disso, isso representaria a emissão de novas ações por parte da Abertis. 

Essa compra também não resolve temores do banco sobre a governança corporativa da empresa, nominalmente o alinhamento entre os acionistas da empresa. “A OHLB3 possui desconto frente à seus pares na bolsa brasileira e acreditamos que uma melhora na governança corporativa e no alinhamento dos acionistas deveria reduzi-lo”, destacam os analistas. 

O lado positivo da aquisição, segundo os analistas, é o fato de a Abertis ser maior do que a antiga controladora, o que garante benefícios à empresa – agora controlada por uma empresa maior, com maior flexibilidade financeira, outras formas de operações e uma maior diversificação geográfica.