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Barclays corta PIB para 0% e ressalta: ciclo de aperto fiscal não deve vir sem riscos

Segundo o banco britânico, as investigações na Petrobras podem afetar os investimentos nos próximos anos; por outro lado, é improvável que o Brasil perca o grau de investimento

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SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff terá em seu novo mandato a nomeação de uma nova equipe econômica, comprometida com o ajuste necessário para limitar o aumento da dívida e promover a credibilidade.

E, conforme aponta o Barclays, a nomeação da nova equipe reduz o risco de rebaixamento do rating do Brasil pelos próximos 18 meses. Assim, é “improvável” que o Brasil perca o seu grau de investimento.

A instituição financeira ainda fez estimativas para o PIB em 2014, cortando para zero; para 2015, a expectativa é de crescimento de 0,8% e, para 2016, alta de 2%.

E, diante do cenário atual, a equipe econômica buscará aumentar a estabilidade e a previsibilidade de políticas fiscais, o que deve retomar o crescimento para 2016. E o ajuste fiscal deve ser moderado, com superávit primário indo de zero este ano para 0,8% do PIB em 2015, 1,5% em 2016 e 2% nos anos seguintes.

Contudo, o ciclo de aperto fiscal não deve vir sem riscos: dentre eles, a investigação sobre o escândalo de corrupção na Petrobras, o que poderia diminuir os investimentos ao afetar o leilão de concessões. 

“Além disso, a nossa perspectiva de baixa do preço do petróleo para 2015, se realizou, também podendo reduzir a atratividade e a rentabilidade dos investimentos da Petrobras, que responde por até 2% do PIB, bem como o setor do petróleo como um todo. Estimamos que um declínio de 10% nos investimentos da Petrobras poderia levar a uma queda de 0,5 de crescimento real do PIB, tendo em conta os efeitos diretos e indiretos sobre a produção, com ordens de baixa nas plataformas de perfuração, bem como alguns serviços, incluindo transporte e armazenamento”, destaca o relatório.

Se o governo quer ir mais longe, poderia restabelecer a CPMF (imposto sobre transações financeiras), eliminado em 2007, o que poderia melhorar o saldo orçamental em 0,3% no próximo ano (supondo que ele seria aprovado no final do terceiro trimestre de 2015). De forma mais ampla, os subsídios e benefícios sociais em geral podem ser discutidos novamente. 

O Barclays ainda comentou sobre o ajuste dos preços administrados. No caso da energia elétrica, o ajuste necessário seria de 35% o que, em última análise, poderia aumentar a inflação em 1 ponto-base. Com tal impacto, o banco não acredita que o governo permitirá este aumento de preços para o ano seguinte, mas poderia decidir um ajuste gradual nos próximos dois a três anos. “Isso tem um ônus, acreditamos, para a política monetária, uma vez que continua a manter as expectativas de inflação em níveis relativamente elevados por um período prolongado”, afirma.