Banda larga deve puxar o crescimento do setor de telecomunicações em 2012

Convergência de serviços também contribuirá para ganhos em market share; Telefônica Brasil e TIM são destaques do setor

Paula Barra

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SÃO PAULO – As perspectivas para o setor de telecomunicações permanecem positivas para 2012, em função do desempenho da economia nacional e da crescente demanda por banda larga fixa e móvel no País, ao menos é o que apostam os analistas de mercado. Para se ter uma ideia, o acesso à banda larga avançou 68% no período de doze meses, atingindo 55,4 milhões de acessos à internet rápida em novembro deste ano.

Segundo levantamento da Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações), somente a banda larga móvel deu um salto de 103% na comparação com 2010. A expectativa das teles e do governo brasileiro é que o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) ajude a impulsionar essa oferta no próximo ano, já que os usuários esperam planos a preços mais acessíveis e conexões de qualidade. O projeto do governo caminhou a passos lentos neste ano e sofreu uma mudança estratégica, com o Estado delegando o papel principal para a iniciativa privada, que será responsável por levar o serviço ao usuário final.

Além disto, a aprovação do PLC 116, que abriu o mercado de TV por assinatura para as empresas de telecomunicações, deve contribuir para acelerar a convergência de serviços. As operadoras de telecomunicações poderão integrar as ofertas de pacotes combinados e aumentar o escopo de clientes potenciais, especialmente nas classes A e B.

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Vale destacar ainda a nova regulamentação para os serviços de televisão paga deve acelerar os investimentos em redes de fibra ótica, pois essas redes poderão ser utilizadas para a exploração de múltiplos serviços pelas empresas de telecomunicações. Nesse quesito, destaque para a Telefônica Brasil (VIVT4), que saiu na frente das suas concorrentes, segundo a analista Jacqueline Lison da Fator Corretora.

Os 5 principais pontos a observar em 2012:

1 – Banda larga móvel: principal driver do setor para próximos anos
Com a expectativa de que o tráfego de dados se torne a principal fonte de renda das empresas de telecomunicações no futuro, as operadoras têm direcionado significativos esforços para ampliar sua base de clientes neste segmento. Adicionalmente, a queda nos preços dos terminais, aliada à chegada ao mercado de smartphones cada vez mais avançados é a principal ferramenta na oferta de planos de dados. No terceiro trimestre deste ano, as receitas de valor adicionado responderam por 16%, 23% e 13% da receita de serviços da TIM (TIMP3), Vivo e OI (TNLP3, TNLP4, TMAR5, BRT04), respectivamente.

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As redes móveis serão um dos principais instrumentos para a universalização da banda larga no País nos próximos anos. Contudo, não canalizarão, em um primeiro momento, a banda larga fixa, que é capaz de prover velocidade maiores a custos comparativamente menores, já que no Brasil as operadoras cobram por volume de dados. Essa situação não irá mudar enquanto o 3G for a principal tecnologia provedora de banda larga móvel, dadas as suas limitações, advertiram os analistas Leonardo Nitta, do BB Investimentos, e Jacqueline Lison, da Banco Fator Corretora.

A principal alternativa para a banda larga móvel é a tecnologia 4G, mas ainda está em fase de inicial no mundo, com apenas 26 redes em operação contra 410 de 3G. A analista da Fator comenta que o 4G deve chegar ao País de forma gradual nos próximos anos, pois as operadoras priorizarão o retorno dos investimentos realizados no 3G.

2 – Reestruturação societária do Grupo OI
A proposta de reestruturação societária tem por objetivo reunir as ações do grupo em uma só companhia listada na Bolsa de Valores. Atualmente, na complexa estrutura societária do Grupo OI, existem quatro empresas negociadas no Ibovespa que correspondem ao grupo: as ações ordinárias (TNLP3) e preferenciais (TNLP4) da Telemar, Telemar Norte Leste (TMAR5) e Brasil Telecom (BRTO4). Todas são controladas pela Telemar Participações.

Na nova estrutura, haveria apenas uma empresa, denominada OI S.A., que reuniria todo o capital social do grupo. Para o analista do BB, a reestruturação deve ser aprovada logo no início de janeiro de 2012; com a decisão, as ações da companhia poderiam ganhar um movimento ascendente, diz Nitta.

Os papéis TNPL3, TNPL4 e TMAR5 registraram perdas de 35,23%, 26,73% e 4,02%, respectivamente, até o início de dezembro deste ano, enquanto as ações da Vivo e TIM subiram 30,86% e 29,53%, respectivamente. 

3 – Telefônica Brasil e TIM são destaques para 2012
Os analistas Walter Nogueira, do Santander, e Leonardo Nitta, do BB Investimentos, sugerem as ações da Telefônica Brasil como aposta para o setor no próximo ano. Contudo, ponderam que os papéis da TIM continuarão a apresentar bons resultados.

As ações da Telefónica Brasil e TIM foram as escolhas da Fator Corretora para 2011. E se mostraram acertadas, já que ambas as companhias apresentaram um desempenho operacional favorável no ano.

Além disso, a equipe de análise do Bradesco, liderada por Carlos Firetti, também está otimista com os resultados das duas empresas. Em relação à Telefônica Brasil, a corretora espera que a plataforma móvel continue reportando um bom crescimento no próximo ano, com um forte fluxo de caixa e atrativos dividendos.

4 – Margens operacionais devem se estabilizar no próximo ano
A margem operacional do setor deve ficar mais pressionada em 2012. Se por um lado ainda há espaço para ganhos de escala; por outro, a consolidação do ambiente competitivo e o lançamento de novos serviços podem inibir o aumento da rentabilidade operacional, apontou Nogueira. “A questão principal para o próximo ano não é a quantidade de serviços que você vai colocar na mesa, mas como você vai movimentar as peças”, complementou o analista do Santander.

Além disso, sob o pano de fundo da expansão das redes e maior poder aquisitivo dos brasileiros, a busca por consumidores de telecomunicações deve ser ainda mais ferrenha. Mas apesar desse movimento pressionar as históricas boas margens das companhias, também pode ajudar na fidelização de clientes e no ganho na escala de vendas.

“Um aperto de margens será inevitável”, reforça Nogueira. A oferta de multisserviços em um só pacote deve reduzir os lucros das companhias, já que individualmente os serviços seriam mais caros. Contudo, as empresas passarão a vender mais, o que pode compensar essa pressão. Além disso, a convergência tecnológica dos serviços pode reduzir os custos, diz a Fator.

5 – Número menor de aquisições
Os movimentos de fusões e reorganizações societárias devem ter uma menor magnitude em 2012. Este ano foi bastante intenso nesse sentido, comentam os analistas Leornado Nitta e Walter Nogueira.

Em maio, a TIM anunciou a aquisição da AES Atimus, empresa provedora de infraestrutura de telecomunicações com presença em 21 cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Entretanto, a integração deve ocorrer até o primeiro trimestre de 2012, apontou a Jacqueline Lison.

Um pouco mais tarde, em setembro, a Telefónica concluiu a consolidação de seus ativos no Brasil através da incorporação da Vivo à Telesp. A companhia teve sua denominação alterada para Telefônica Brasil e mudou o código de suas ações para VIVT.