Bancos param de emprestar uns aos outros e depositam valor recorde junto ao BCE

Linhas de crédito emergencial também registram volume recorde de saques; sinal de agravamento da crise de liquidez

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SÃO PAULO – Com as fontes para captação de recursos cada vez mais secas, bancos da zona do euro tomaram volume recorde de empréstimos na linha emergencial de crédito do Banco Central Europeu na última quinta-feira (29).

Já cambaleante, o cenário para a obtenção de recursos deteriorou-se com a rejeição no Congresso do plano elaborado pelo governo dos EUA, que visava retirar do mercado os chamados ativos “podres” e aliviar as tensões nos mercados financeiros.

A resposta imediata ao fracasso fez com que os bancos buscassem € 15,5 bilhões junto à autoridade monetária européia, o maior volume de recursos desde o ano de 2002. Atualmente, estes recursos especiais são submetidos a juro de 5,25% ao ano.

Na outra ponta…

No entanto, os sinais de que a crise de liquidez nos mercados de crédito avança são reforçados pelo valor também recorde de depósitos realizados pelos bancos junto ao mesmo BCE, com o volume de € 44,4 bilhões. Estes depósitos são, por sua vez, remunerados à taxa de 3,25% ao ano.

Temendo novas falências e calotes, as instituições financeiras têm restringido o crédito interbancário, importante para que as companhias do setor financeiro mantenham-se capitalizadas e consigam rolar suas dívidas, o que somente agrava a situação dos atores em posição mais debilitada.