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SÃO PAULO – Após uma forte desvalorização das moedas de países emergentes no final do primeiro semestre, as principais divisas de países em desenvolvimento começaram a mostrar recuperação com a mudança do cenário internacional, principalmente com as novas perspectivas para a economia dos EUA.
Porém, essa valorização das moedas dos emergentes ainda está abaixo do esperado, afirma o Goldman Sachs e o UBS AG. Ambos acreditam que o pior ainda não passou para divisas como a lira da Turquia e o rand da África do Sul. “Não está claro para mim que podemos declarar vitória ou dizer que os mercados emergentes são agora uma compra estrutural”, disse Bhanu Baweja, chefe global de estratégia inter-ativos de mercados emergentes do UBS, em entrevista para a Bloomberg. “Nós não vimos as baixas nos mercados emergentes”, conclui ele.
Enquanto o Federal Reserve se prepara para retirar os estímulos à economia norte-americana, as duas companhias acreditam que essas moedas devem continuar em queda, já que o fim do QE3 ajuda na saída de fundos que buscavam ativos de maior rendimento em mercados emergentes.
Entre janeiro e agosto, o indicador de moedas de mercados emergentes da Bloomberg registrou queda de 7,6%, rumando para se tornar a maior queda anual desde 2008, quando o índice recuou 14%. Nem a recuperação apresentada na últimas semanas tem ajudado, já que o indicador segue com recuo de 5,,7%, a maior em dois anos.
Os otimistas
Por outro lado, o Barclays e o JPMorgan estão mais otimistas com relação a esse cenário. Para eles, essas moedas continuarão em alta, puxadas por dados econômicos melhores na China e com a redução da possibilidade de um ataque dos EUA à Síria. Eles ainda ressaltam que a decisão do ex-secretário do Tesouro Americano, Lawrence Summers, de retirar sua candidatura para comandar o Fed pode ter ajudado a impulsionar os ganhos.
Segundo projeções de 53 economistas consultados pela Bloomberg, a China – que tem grande participação no mercado brasileiro – deve crescer 7,4% em 2014, ficando abaixo dos 7,5% esperados para este ano. Enquanto isso, a economia dos EUA deve acelerar de 1,6% para 2,7% em 2013.
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Em setembro, a rúpia indiana já subiu 5,6%, o maior aumento entre as 24 moedas de mercados emergentes monitoradas. O rand da África do Sul avançou 4,4% no mesmo período, enquanto o real ganhou 4,1%, desde que atingiu R$ 2,4549 por dólar.
O Barclays recomenda que os clientes comprem o ringgit malaio, o peso mexicano e o rublo russo tendo como base que a “fase aguda de venda do mercado emergente pode ter acabado”. Além disso, a instituição também afirma que as políticas de defesa de Brasil, Índia e Indonésia contra a fuga de capitais, como o aumento dos juros e restrições às importações, devem aumentar a confiança dos investidores.
De acordo com o EPFR Global, mais de US$ 50 bilhões deixaram os fundos globais na forma de investimentos em títulos de mercados emergentes e ações desde maio, fazendo com que o acumulado este ano atinja US$ 11 bilhões em saídas.Porém, Baweja afirma que não mudou de ideia. “Eu não acredito que o pior já tenha passado”, diz a respeito de moedas de mercados emergentes.