Bancos elevam apostas em Vibra e Ultrapar com margens acima do esperado; ações sobem

JPMorgan e Morgan Stanley esperam que a rentabilidade do setor permaneça estruturalmente acima dos níveis anteriores ao conflito, especialmente para as grandes distribuidoras

Felipe Moreira

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O JPMorgan mantém visão positiva para o setor brasileiro de distribuição de combustíveis e reitera recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3). Segundo o banco, a oferta de combustíveis deve continuar restrita mesmo com níveis elevados de operação das refinarias globais, mantendo a rentabilidade das distribuidoras acima dos patamares anteriores ao conflito no Oriente Médio.

Embora a volatilidade do petróleo permaneça elevada, com investidores ainda sem uma visão clara sobre como precificar os riscos geopolíticos e os impactos sobre a demanda, o JPMorgan avalia que o cenário para derivados de petróleo é diferente. A equipe de commodities do banco destaca que a principal questão deixou de ser o retorno dos barris de petróleo bruto, mas a velocidade com que o sistema global de refino conseguirá processá-los.

Por volta das 10h20, as ações da Vibra subiam 1,21%, cotadas a R$ 33,40, enquanto as da Ultrapar avançavam 0,91%, a R$ 30,99.

O banco aponta três principais incertezas para o mercado. A primeira é a extensão dos danos à infraestrutura de refino no Oriente Médio após meses de conflito. A segunda envolve o ritmo da retomada das operações das refinarias chinesas. A terceira está relacionada à recuperação do sistema de refino da Rússia após sucessivos ataques com drones.

Margens devem permanecer acima do período pré-conflito

O JPMorgan espera que a rentabilidade do setor permaneça estruturalmente acima dos níveis anteriores ao conflito, especialmente para as grandes distribuidoras. Segundo o banco, as margens integradas de diesel, considerando revendedores e distribuidores, estavam em aproximadamente R$ 0,95 por litro antes do conflito, avançaram para cerca de R$ 1,75 por litro em abril e maio e atualmente estão próximas de R$ 1,50 por litro.

Para a Vibra, o banco estima margem integrada atual de aproximadamente R$ 1,472 por litro, alta de R$ 0,516 por litro em relação ao período pré-conflito. Para a Ipiranga, da Ultrapar, a estimativa é de R$ 1,453 por litro, aumento de R$ 0,510 por litro na comparação com o mesmo período.

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Na avaliação do JPMorgan, o conflito funcionou como um catalisador para uma estrutura mais favorável do setor, reforçando avanços regulatórios recentes e sustentando um nível de rentabilidade superior ao observado antes da crise.

Na mesma linha, o Morgan Stanley afirma que sua tese de captura de margens no setor de distribuição de combustíveis está se concretizando em ritmo mais rápido e em uma magnitude superior ao esperado. Segundo o banco, as condições específicas do mercado brasileiro de combustíveis no segundo trimestre de 2026 permitiram que as distribuidoras capturassem margens acima do normal, cenário que deve se estender parcialmente ao terceiro trimestre.

Com isso, o banco estima que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) por metro cúbico das empresas em 2026 ficará cerca de 40% acima das projeções anteriores. O Morgan Stanley elevou suas estimativas de Ebitda para 2026 em 33% para a Vibra (VBBR3) e em 26% para a Ultrapar (UGPA3).

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Repasse gradual de custos deve sustentar margens no curto prazo

Apesar da queda dos custos de importação, o repasse para os preços ao consumidor tem ocorrido de forma mais lenta, ajudando a manter margens elevadas para as distribuidoras.

O JPMorgan destaca que os preços do diesel nas bombas recuaram cerca de 7% desde abril, enquanto o petróleo Brent caiu aproximadamente 22% no mesmo período. Segundo o banco, a diferença reflete estoques e compras realizadas pelas empresas em momentos de custos mais elevados.

Com a normalização desses estoques, o banco espera que o ajuste dos preços continue gradual, permitindo a manutenção de um ambiente favorável para as margens do setor.

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Vibra (VBBR3)

O Morgan Stanley elevou o preço-alvo da Vibra para meados de 2027 para R$ 41 por ação, ante R$ 34 anteriormente. A estimativa de Ebitda para 2026 foi elevada em 33%, impulsionada por uma alta de 39% na margem de combustíveis, para R$ 295 por metro cúbico, contra R$ 213 na projeção anterior.

O banco manteve recomendação overweight para a Vibra, destacando maior exposição ao negócio de distribuição de combustíveis, melhor relação entre cenário positivo e negativo, com uma relação de 6,5 para 1, e potencial de desalavancagem com possíveis vendas de ativos não estratégicos que poderiam financiar dividendos maiores.

O JPMorgan também reiterou classificação de compra para Vibra e preço-alvo R$ 40, negociando entre 5,2 vezes e 6,2 vezes o EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) estimado para 2026 e 2027

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Ultrapar (UGPA3)

Para a Ultrapar, o Morgan Stanley elevou o preço-alvo para meados de 2027 para R$ 34 por ação, contra R$ 27 anteriormente. A projeção de Ebitda de 2026 subiu 26%, após uma alta estimada de 40% nas margens de combustíveis, para R$ 300 por metro cúbico, ante R$ 213 anteriormente.

Apesar da visão positiva para o setor, o banco manteve recomendação equal-weight para a Ultrapar, devido ao menor potencial de valorização em relação ao preço-alvo e a uma relação risco-retorno menos favorável, com cenário positivo e negativo de 3 para 1.

O JPMorgan manteve classificação de compra e preço-alvo de R$ 35, pois a ação está avaliada entre 5,1 vezes e 5,4 vezes o EV/Ebitda.