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SÃO PAULO – O Ibovespa ganhou força na tarde desta segunda-feira (14), em meio ao anúncio de corte no Orçamento. Além do corte de R$ 26 bilhões, o governo prevê aumento de impostos, com previsão de arrecadação extra superior a R$ 30 bilhões. Entre as medidas para o Orçamento de 2016 estão a redução de despesas com o PAC e o Minha Casa, Minha Vida. O índice encerrou em alta de 1,9%, a 47.282 pontos.
Com o anúncio como pano de fundo, as ações da Petrobras, que recuavam viraram para alta, enquanto os bancos ganharam força nesta tarde. Os papéis da Vale, por sua vez, amenizaram as perdas.
Na ponta positiva do benchmark destaque ainda para os papéis da Oi, que dispararam com possível “short squeeze”. Operadores comentaram que não há papel para aluguel, embora a demanda continua crescente. O aluguel de ações é usado por quem quer operar vendido em uma ação, ou seja, espera a queda do papel no futuro.
Confira abaixo os principais destaques da Bovespa nesta segunda-feira:
Petrobras (PETR3, R$ 8,83, +0,23%; PETR4, R$ 7,72, +0,78%)
As ações da Petrobras viraram para alta nesta tarde, deixando para trás uma sequência de fortes perdas nos últimos dias. Na sexta, elas atingiram o menor valor desde novembro de 2004. Na última sexta-feira, os papéis amargaram perdas após o rebaixamento de rating pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, o que também levou diversos bancos de investimentos a rebaixarem a recomendação e/ou preço-alvo para os ativos.
Hoje, destaque para a notícia de que o presidente da Vale, Murilo Ferreira, pediu aos demais integrantes do conselho de administração da Petrobras afastamento da presidência do conselho da estatal até 30 de novembro para concentrar-se na gestão da mineradora. A notícia foi confirmada nesta manhã pela Vale.
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“O problema deles é que eles são China, muito concentrados. A situação deles é complicada porque a Vale concentra em um produto só (minério de ferro), não é fácil”, disse uma fonte da petroleira à Reuters, sob condição de anonimato, ao comentar a licença de Ferreira.
Segundo coluna Radar, da Veja, com a saída de Ferreira, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, estaria articulando para que Luciano Coutinho ocupe a presidência do colegiado da estatal. Em relatório, o Bank of America Merrill Lynch comentou que o pedido de afastamento de Ferreira gera receios quanto à independência do conselho, indicando possíveis tensões no conselho e/ou diretoria da empresa. O banco manteve recomendação neutra para as ações da companhia, preferindo as preferenciais às ordinárias.
Siderúrgicas e Vale
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,15, -1,54%; VALE5, R$ 15,36, -1,98%) e Bradespar (BRAP4, R$ 9,80, -3,64%) – holding que detém participação na Vale -, que caíam forte amenizaram as perdas nesta tarde, com o mercado de olho no anúncio de cortes no Orçamento. As siderúrgicas, por sua vez, seguiram em forte queda: Gerdau (GGBR4, R$ 6,30, -5,69%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,62, -6,22%), CSN (CSNA3, R$ 4,92, -4,09%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,28, -7,96%).
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Apesar da forte queda, o Goldman Sachs divulgou relatório hoje, revisando recomendação de compra para as ações da Gerdau por conta de sua exposição à economia americana e possível alta dos preços do aço. Por sua vez, o banco reiterou venda para Usiminas e CSN.
Do dia 25 de agosto até a última sexta-feira, os papéis da Gerdau, Usiminas e CSN dispararam cerca de 50%, 75% e 83%, respectivamente. No radar, há rumores de que pode haver reajuste nos preços de aço e a “trégua” entre os sócios da Ternium e da Nippon pela disputa societária devido às dificuldades operacionais da siderúrgica, segundo informações do Valor.
No caso da Vale, as ações acompanham o pregão negativo do minério de ferro. Os preços da commodity caíram 1,54% no porto de Qingdao, na China, para US$ 58,10 a tonelada, em meio à preocupações com a economia chinesa.
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Bancos
Já os bancos mostram recuperação neste pregão, após terem diminuído os ganhos mais cedo juntamente com o Ibovespa, pressionados pela piora nas quedas nos Estados Unidos. Na maior alta as ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,08, +5,60%), seguidas pelos papéis do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,59, +4,03%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,83, +5,21%; BBDC4, R$ 23,40, +4,46%) e Santander (SANB11, R$ 14,07, +3,99%).
A Fitch disse, em nota divulgada hoje, que o efeito líquido da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) pode reduzir o lucro dos bancos em 4%. De acordo com a Fitch, mais aumentos de impostos podem levar a uma desaceleração ainda mais forte na demanda por crédito e a obstáculos negativos na qualidade de ativos. Se este cenário se confirmar, a Fitch pode manter a perspectiva negativa sobre o setor financeiro brasileiro, informou o relatório.
Oi (OIBR4, R$ 3,01, +9,06%)
A Oi dispara hoje com possível “short squeeze” nas ações. Operadores destacaram que não têm encontrado papéis da companhia para aluguel, pressionando os vendidos a zerarem suas posições – em um movimento conhecido como “short squeeze” (pressão dos vendidos). Segundo um operador, é difícil dizer, por enquanto, se é realmente short squeeze, mas se alguém vendeu e não alugou o papel é difícil dizer que tenha conseguido “tomar” alugada depois. Ou seja, esse vendedor pode ter sido pressionado a zerar sua posição. Ele, no entanto, disse que não viu nenhum “recall”, isto é, quando o doador da ação pede de volta suas ações que ele tem doadas.
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Além disso, destaque hoje para a informação de que a Oi anunciou que vai oferecer velocidades intermediárias de internet banda larga a partir dessa semana, o que deve elevar a competição no segmento. A empresa lança amanhã ofertas de internet com velocidades de 20, 25 e 35 megabits por segundo (Mbps), com o objetivo de disputar um espaço que já era ocupado pelas operadoras concorrentes. De acordo com a Oi, o esforço visa aumentar a rentabilidade de seus clientes e se concentrará inicialmente em 564 municípios brasileiros, o que deve ser ampliado em 2016.
Lojas Renner (LREN3, R$ 98,68, +3,78%)
A Lojas Renner informou nesta tarde que convocou para 23 de novembro assembleia para votar o desdobramento de ação na proporção de uma para cinco.
Tereos (TERI3, R$ 0,59, -30,59%)
As ações da Tereos caíram forte após disparada dos últimos dias. Nos seis pregões anteriores, os papéis dispararam 252%. Na sexta-feira, a BM&FBovespa indagou a companhia sobre a valorização das ações. Em resposta, a empresa disse que foram divulgadas duas notícias positivas para o setor sucroenergético, que acredita ter influenciado na alta das ações e no volume negociado.
São elas: expectativa do mercado em relação a um possível aumento da Cide (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) sobre a gasolina, que é uma demanda antiga do setor, o que ganhou força em razão das recentes declarações do governo de que precisa aumentar a arrecadação. “O aumento da Cide elevaria o preço da gasolina e poderia levar ao aumento da demanda por etanol, beneficiando as empresas do setor”.
Outro fator é o aumento do preço do açúcar: “conforme divulgado pela imprensa brasileira, os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) encerraram o pregão do dia 3 de setembro com uma forte alta, onde o preço para contratos com vencimento em outubro subiu 5,68% e fechou a US$ 11,34 centavos por libra-peso. A referida alta no preço do açúcar teria subido em razão dos temores quando aos efeitos do El Nino e aumento das importações pela China”.
Smiles (SMLE3, R$ 38,81, +2,48%)
Depois de cair 19% nos três pregões anteriores, as ações da Smiles tiveram alta nesta segunda-feira. O movimento ocorre depois que a CVC informou que os acionistas controladores da companhia não têm a intenção de realizar qualquer tipo de operação societária com a Smiles neste momento.
A companhia se manifestou sobre matéria publicada na última quinta-feira no Estadão , que noticiou que o fundo de private equity Carlyle, controlador da agência de turismo, estaria em conversas com investidores estratégicos para a venda do controle da CVC. A reportagem destacou que o fundo teria entrado em negociações com o Smiles, empresa de milhagem controlada pela companhia aérea Gol, mas as conversas ainda estariam esbarrando em alguns pontos, como no valor do negócio.
Copasa (CSMG3, R$ 10,95, +5,90%)
As ações da Copasa dispararam pelo terceiro dia. Procurados pelo InfoMoney, operadores de mercado não souberam justificar o movimento. Em três dias, os papéis subiram 25%.
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