Bancos começam a projetar a hora de pagar a conta com o governo nos EUA

Oferta do Goldman é sinal de que volta dos lucros mudou a visão do setor, que tem de cuidar para não confundir esperança com audácia

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SÃO PAULO – Os bancos começam a proferir sinais que agradam o investidor, transformam sua confiança em confiança do mercado. Um evento que chamou atenção na semana passada foi a oferta de ações realizada pelo Goldman Sachs e diz muito sobre o cenário atual.

De fato o primeiro trimestre foi mais ameno para o setor e os resultados já reportados mostram isto. Após longo período de perdas, as instituições financeiras voltaram a ver o azul em seus balanços. Como voltaram a ser lucrativos, nada mais sensato que pensar em pagar sua dívida com o governo.

Goldman oferta

A oferta do Goldman Sachs visou levantar US$ 5 bilhões exatamente para este fim. Nem tanto por sensatez do ato, o objetivo do banco pode ser outro. Lloyd Blankfein, CEO (Chief Executive Officer) da instituição, já citou que após os resgates, os bancos começar a ser tratados de maneira diferente no Congresso norte-americano, que dificulta algumas ações.

Nas palavras do próprio CEO, “limitam sua capacidade para competir”. Com a oferta, o Goldman visa minimizar estas barreiras; US$ 5 bilhões é metade dos US$ 10 bilhões que o Tesouro injetou na instituição. Mas já é hora para isto?

Esperança por audácia

Os sinais de confiança dos bancos e as declarações de executivos que há tempos não viam uma melhoria de cenário podem mascarar a realidade, confundir esperança com audácia. Alguns analistas ainda veem a insolvência de bancos como grande risco à frente. O FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta perdas contábeis de mais US$ 1,5 trilhão para o setor. As condições de crédito ainda estão distorcidas.

Na apresentação de seus resultados, que agradaram, o Citi não deixou de assumir certa preocupação com a deterioração do crédito ao consumidor. Matéria da The Economist levantou a questão. Se todo este problema foi criado pela fragilidade do sistema financeiro, nada melhor que uma estrutura de capital sólida para enfrentá-lo.