Bancos Centrais atuam com maior ímpeto desde ataques de 11 de setembro em 2001

Fed anuncia que vai atuar no mercado para manter as negociações de títulos com a taxa próxima a taxa de 5,25% ao ano

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SÃO PAULO – Os desdobramentos sobre a crise do mercado de crédito subprime e a capacidade dela afetar a economia real ainda é incerta e poucos analistas arriscam prever os próximos passos. Apesar disso, uma coisa é certa. O subprime se espraiou pelo mercado financeiro.

As bolsas de valores em todo o mundo já vivem um cenário mais volátil e que segue ao sabor das novas notícias que são publicadas sobre fundos ou empresas prejudicadas pela crise em diversas regiões do globo. Agora, além disso, os Bancos Centrais começam a demonstrar preocupação com a liquidez do mercado de crédito.

A atuação do Banco Central Europeu nos últimos dias só não é maior do que as medidas tomadas depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Na noite da última quinta-feira, os empréstimos interbancários subiram para o maior nível em seis anos nos EUA.

Fed atua

Em resposta, o Banco Central norte-americano (Federal Reserve) anunciou nesta sexta-feira que irá prover reservas para o sistema financeiro através de operações no mercado aberto, por meio de compra e venda de títulos, “para promover que as negociações se mantenham próxima a meta da taxa de juro de 5,25% ao ano”.

A declaração do banco traz uma nova posição em relação à crise. No início desta semana, o comitê de política monetária foi cauteloso ao citar os problemas com o mercado imobiliário em seu comunicado publicado junto à decisão de manter a taxa de juro do país.

“Os mercados financeiros apresentaram volatilidade nas últimas semanas, as condições de crédito se tornaram mais apertadas em alguns nichos e a correção no mercado imobiliário segue em andamento”, mostrou o comunicado.

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Queda na liquidez

Segundo o banco francês Société Générale, os maiores bancos estão segurando os fundos em sua própria carteira para poder atender as próprias necessidades de recursos, além disso, estão dispostos a pagar um pouco mais caro pelo dinheiro.

“Além disso, onde os recursos estão disponíveis, a ênfase será no investimento no crédito de maior qualidade e, tipicamente isso quer dizer títulos do governo”, diz o banco.

Com o aumento do risco dos investimentos, a taxa dos empréstimos interbancários (overnight rate) começou a subir e os Bancos Centrais começaram a atuar, ofertando recursos para aumentar a liquidez e reduzir as taxas.

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“Por conta do nervosismo dos investidores, o BCE voltou a injetar recursos no mercado após as taxas de overnight interbancárias voltarem a subir”, afirma a corretora Arkhe em relatório publicado na manhã desta sexta-feira.

Apesar de ainda cético em relação à possibilidade da crise em contaminar a economia real, o banco norte-americano JPMorgan divulgou na última quinta-feira um relatório admitindo que os riscos no mercado financeiro aumentaram, e que as previsões de crescimento e de política monetária podem ser revisadas.