Destaques da Bolsa

Bancos amenizam, Vale cai 4%, Fleury sobe e Sabesp cai 5% em meio à “briga” com Fiesp

Confira os destaques da Bovespa nesta segunda-feira (15)

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SÃO PAULO – O dia seguiu negativo para a Bolsa brasileira, seguindo o dia pessimista com mais uma decepção nas negociações entre a Grécia com os seus credores internacionais. No domingo bastaram 45 minutos para que as conversas com os gregos fossem dadas como fracassadas. Contudo, o índice conseguiu uma recuperação e fechou em baixa de 0,39%, a 53.137 pontos.

As ações da Petrobras oscilaram entre leves perdas e ganhos, enquanto as da Vale firmaram queda, em dia de vencimento de opções sobre ações, que costumam aumentar a volatilidade dos papéis. Segundo a BM&FBovespa, o exercício das opções sobre ações movimentou R$ 2,53 bilhões nesta data. Entre as opções mais movimentadas, destaque para as ações do Itaú Unibanco (ITUB4) a R$ 35,04, que movimentou R$ 153,33 milhões. Enquanto isso, a Petrobras PN (PETR4) ficou na segunda colocação, movimentando R$ 115,43 milhões em opções de venda a R$ 13,00.  Confira os principais destaques da Bovespa: 

Bancos
Após driblarem o noticiário negativo na semana passada e fecharem com leve alta, as ações de bancos cairam nesta segunda-feira pressionadas pelo noticiário grego e a falta de um acordo com os credores da zona do euro. Além disso, pesou nos papéis de banco mais cedo a notícia de que, em busca de discurso depois de aprovarem o ajuste fiscal, os parlamentares do PT defendem um aumento maior na CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). A alíquota da CSLL foi elevada em maio de 15% para 20% e parlamentares defendem aumentos maiores – entre 25% e 35%, conforme informações do Valor.

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Contudo, ao longo do dia, os papéis do setor de bancos diminuíram as perdas. Os ativos do Santander Brasil (SANB11, R$ 16,18, -1,10%) amenizaram, assim como Bradesco (BBDC3, R$ 26,73, +0,60%; BBDC4, R$ 27,61, -0,58%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,46, -0,18%). O Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,37, +0,51%), por sua vez, virou para leve alta. 

Segundo relatório do JPMorgan de hoje, os bancos brasileiros podem ver aumentar a inadimplência nos próximos meses frente as dívidas de fornecedores da Petrobras e de grupos de engenharia investigados por corrupção.

“Embora as perspectivas para o setor bancário no Brasil pareçam desafiadoras, os credores podem se beneficiar de uma menor concorrência, o que lhes permite obter mais garantias de cobrar taxas de juros mais elevadas dos clientes”, destaca o JPMorgan.

Fleury (FLRY3, R$ 18,40, +2,46%)
As ações da Fleury subiram forte em meio à notícia do jornal O Estado de S. Paulo de que a Tarpon está em estágio avançado de conversas com a Core para adquirir o Fleury. Depois de tentativa frustrada de se unir ao laboratório mineiro Hermes Pardini, no ano passado, em uma operação costurada pela gestora Gávea Investimentos, o Grupo Fleury, uma das maiores companhias de medicina diagnóstica do País, voltou a negociar a entrada de um investidor para o seu negócio.

Gestoras nacionais, como a Tarpon, e estrangeiras, como Advent, KKR, além da Temasek, empresa de investimento do governo de Cingapura, e do fundo soberano do mesmo país, o GIC, estariam em conversas com a Core Participações, maior acionista do Fleury, apurou o jornal.

Petrobras (PETR3, R$ 14,20, +0,14%; PETR4, R$ 12,99, -0,23%)  
As ações da Petrobras oscilaram, em novo dia de noticiário agitado para a companhia. A empresa teve sua recomendação e preço-alvo elevados pelo JPMorgan para overweight (exposição acima da média do mercado) e para R$ 18,00 por ação, respectivamente, com o cenário grego pesando negativamente. 

Por outro lado, em entrevista ao jornal Valor Econômico, em entrevista ao jornal Valor Econômico desta segunda-feira (15), o professor da Stern School of Business e considerado o “papa do valuation”, Aswath Damodaran, destacou um cenário bastante desolador para a Petrobras. “A Petrobras está além da redenção”, afirmou o professor, fazendo duras críticas ao governo brasileiro e à utilização das estatais como forma para promover interesses políticos. “A corrupção da Petrobras é só um sintoma. O grande problema é que, por décadas, a companhia tem sido exaurida em nome de objetivos políticos”, afirmou em entrevista por telefone ao jornal. 

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Vale e siderúrgicas
As ações de Vale e siderúrgicas registraram queda de olho no cenário externo, em meio ao fracasso nas negociações da Grécia com os credores, mas também repercutindo novos dados ruins da China. Além disso, a cotação do minério de ferro no porto de Tianjin, na China, caiu 0,8%, cotado a US$ 64,50 a tonelada, enquanto o do porto de Qingdao registrou baixa de 1,35%, a US$ 64,25. 

Entre os dados macroeconômicos, os dados de venda de veículos da China vieram fracos e continuam a mostrar que o mercado está desacelerado e que vendedores continuam a dar grandes descontos. Já de acordo com o Financial Times, o ex-secretário do Tesouro Henry Paulson disse que a China corre um sério risco caso não acelere as reformas de suas empresas estatais. Os papéis da Vale (VALE3, R$ 20,34, -3,88%VALE5, R$ 17,45, -2,40%) tiveram queda de cerca de 2%, enquanto CSN (CSNA3, R$ 6,02, -1,79%), Gerdau (GGBR4, R$ 8,44, -1,86%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,67, -0,64%) cairam mais de 1%. Bradespar (BRAP4, R$ 11,55, -2,61%), que possui participação na Vale, também registrou queda forte. 

No noticiário da Vale, a agência de classificação de risco Fitch Ratings informou o mercado, na noite da última sexta-feira (12), que afirmou os ratings em moeda estrangeira e local da companhia em ‘BBB+’. Já o rating da companhia em escala nacional permaneceu em ‘AAA(bra)’. A perspectiva sobre o risco dos investimentos é considerada estável pela agência.

“Os ratings se baseiam na posição de liderança da companhia como maior produtora mundial de minério de ferro de baixo custo”, justificaram os analistas da Fitch em comunicado ao mercado. No parecer, foi destacada a participação de mercado da companhia no comércio transoceânico de aproximadamente 22%, e em sua resiliente estrutura de capital.

Já a agência decidiu pelo rebaixamento de BB+ para BB, do rating de longo prazo em moeda estrangeira, e de AA(bra) para AA-(bra), em escala nacional da CSN, com a manutenção da perspectiva negativa. A reclassificação reflete a deterioração da estrutura de capital da companhia, por conta do CAPEX elevado, fraca demanda por aço no Brasil e declínio dos preços de minério de ferro. 

 

Sabesp (SBSP3, R$ 16,58, -4,82%)
As ações da Sabesp registraram uma das maiores quedas nesta sessão. A Fiesp entrou com pedido de liminar contra o reajuste de 15,24% nas contas da Sabesp, segundo informações do jornal Valor Econômico, alegando que o reajuste extraordinário é ilegal.  Em resposta à liminar, a companhia informou que o reajuste obedeceu a preceitos legais. 

Além de citar a correção da inflação em 12 meses, de 7,19%, a estatal destacou o aumento de 40,92% no preço da energia elétrica, com forte impacto no custo para distribuir água, para justificar o reajuste. Já a Fiesp destaca que tanto a Sabesp quanto o governo de São Paulo deixaram de fazer obras nos últimos dez anos e, agora, a sociedade não pode ser penalizada por isso. 

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Embraer (EMBR3, R$ 24,26, +0,50%)
A Embraer abriu com fortes ganhos, zerou em meio ao cenário negativo na Bolsa, mas logo voltou a subir, mesmo com um desempenho mais fraco em relação à abertura, quando chegou a subir mais de 3%. A companhia anunciou 50 pedidos firmes para seus jatos de corredor único na feira de Paris nesta segunda-feira avaliados em um total de 2,6 bilhões de dólares. As encomendas, que também incluem dezenas de opções para mais jatos, vêm de companhias aéreas como a United Airlines, da United Continental Holdings, SkyWest e Colorful Guizhou, e da empresa de leasing Aircastle.

Triunfo (TPIS3, R$ 3,82, +3,24%)
A Triunfo registrou leve alta nesta sessão. A companhia informou em comunicado que o tráfego em rodovias do grupo caiu 6,8% nos primeiros cinco meses de 2015 na comparação com igual período do ano passado.  

Rumo (RUMO3, R$ 1,29, -0,77%)
As ações da Rumo chegaram a cair 2,31% nesta sessão, mas logo viraram para alta e sobem mais de 1%. Os acionistas da companhia aprovaram, por unanimidade, em assembleia geral extraordinária, o grupamento das 2,99 bilhões de ações ordinárias da empresa, na proporção de dez para uma.

Em 29 de maio, a administração da empresa propôs a operação, visando adequar a faixa de preço das ações e a redução da volatilidade dos papéis. 

Totvs (TOTS3, R$ 37,14, -4,18%)
A Totvs viu seus papéis virarem para queda após chegarem a subir 1,65% mais cedo. A companhia comunicou que o Conselho de Administração elegeu Rodrigo Kede Lima ao cargo de Diretor-presidente,  em consonância com o plano de sucessão de Laércio Cosentino, fundador da Companhia, que continuará como Diretor Executivo Chefe (CEO) durante um período de transição de até 3 anos. Também nesta data, portanto, Laércio Cosentino renunciou ao mandato de Diretor-presidente. 

Pine (PINE4, R$ 4,79, -3,23%)
As ações do Banco Pine registraram forte queda, após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixar o rating na escala global do banco Pine (PINE4) de BB+ para BB e na escala global de brAA para brA+. As métricas de qualidade de crédito do banco sofreram deterioração nos últimos seis meses e não estão mais acima da média dos concorrentes do próprio histórico do banco, afirma a S&P.  

Elétricas
O dia também foi de baixa para as empresas de energia elétrica, com destaque para a Cemig (CMIG4, R$ 13,12 -1,58%), Copel (CPLE6, R$ 32,90, -0,51%) e Eletrobras (ELET3, R$ 6,44, -0,31%; ELET6, R$ 9,449, +0,75%). Por outro lado, Energias do Brasil (ENBR3, R$ 10,90, +3,81%) teve um dia de ganhos. Em evento em São Paulo, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Luiz Eduardo Barata, afirmou que as empresas de geração hidrelétrica deverão aumentar seu déficit financeiro no segundo semestre em função da forma como distribuíram a energia comercializada ao longo do ano. 

Segundo ele, o governo tem conversado com associações do setor para negociar uma solução. “Vamos buscar fazer com que ninguém saia perdendo demais”, disse Barata. O assunto está em discussão em audiência pública na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O governo deve anunciar nos primeiros dias de agosto um plano estruturado para o setor de energia nos próximos anos, afirmou. 

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A Cesp (CESP6, R$ 20,22, +2,38%) foi designada para a prestação de serviço de geração da UHE Garcia, ao custo de R$ 1,540 bilhão.

A Companhia Energética de São Paulo também foi designada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) como responsável pela prestação do serviço de geração de energia elétrica, por meio das Usinas Hidrelétricas UHE Ilha Solteira e UHE Jupiá, para garantir a continuidade do serviço. O contrato de concessão dessas usinas termina em 8 de julho e a concessionária não aceitou as condições para a renovação. Em razão disso, as usinas irão a leilão, a princípio, em setembro. Enquanto isso, o governo está obrigando os atuais concessionários a manter as usinas em operação, até a escolha de um novo concessionário.

Educacionais
As ações das companhias educacionais, após subirem forte na semana passada, chegaram a abrir em queda, mas se recuperaram e registraram ganhos, com destaque para a Estácio (ESTC3, R$ 20,95, +1,70%) e Kroton (KROT3, R$ 12,62, +0,96%). 
O setor de ensino superior privado está considerando positivas as mudanças a serem implantadas no segundo semestre deste ano no programa de financiamento estudantil do governo, o Fies, apesar da redução no número de novos contratos, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. O novo modelo, ainda não anunciado oficialmente, terá alta de juros e redução do limite de renda dos alunos atendidos.

De acordo com fontes do setor, o Fies vai ter elevada de 3,4% para 6,5% ao ano a taxa de juros. A carência, período após o curso em que o aluno ainda não precisa amortizar a dívida, cai de 18 para 12 meses. Num primeiro momento, as fontes afirmaram que não haveria redução no prazo de amortização, mas mais tarde confirmaram que ele caiu para duas vezes o tamanho do curso mais um ano (antes esse prazo era de três vezes o tamanho do curso somado de um ano). Ou seja, um curso de quatro anos deve ser pago em até nove anos somado da carência e não mais em 13 anos.

Valid (VLID3, R$ 47,73, +2,65%)
As ações da Valid tiveram leve alta após a companhia anunciar o processo de aquisição da Marketing Software Company, localizada em Los Angeles, na Califórnia. A compra totaliza US$ 41,161 milhões e, segundo a companhia, “trará uma expansao significativa na atuacao da Valid na área de marketing de dados digitais em grande escala, que é um setor bastante rentável, que movimenta valores multibilionários, e onde a Valid USA ja opera como uma provedora reconhecida de soluções que conecta marcas e consumidores”, afirmou.

(Com Reuters e Agência Estado)