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Os papéis do Banco Inter (INBR32) sobem forte nesta terça-feira (12), após tombo analistas avaliarem que a forte correção das ações após balanço do 1T foi exagerada diante da perspectiva de melhora gradual da rentabilidade apresentada pela companhia durante o “Owner’s Day”. Às 16h (horário de Brasília), os recibos de ações negociadas no Brasil (BDRs) INBR32 subiam 5,62%, cotadas R$ 31,22.
O JPMorgan cortou suas projeções de lucro em 6% para 2026, para R$ 1,7 bilhão, e em 11% para 2027, para R$ 2,2 bilhões. As estimativas passaram a incorporar retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de cerca de 15,5% em 2026 e 17,5% em 2027, ficando entre 7% e 11% abaixo do consenso do mercado.
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Apesar da revisão, o JPMorgan considera que a queda acumulada de 23,5% das ações desde 6 de maio foi excessiva, especialmente diante de um recuo de apenas 3% do EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, no mesmo período.
Segundo os analistas, embora o resultado do primeiro trimestre tenha sido misto e a execução da companhia esteja abaixo do que era esperado no plano “60-30-30”, o mercado já trabalhava com expectativas relativamente baixas e o Inter continua apresentando evolução gradual do ROE.
O banco ressalta, porém, que parte dos investidores deve aguardar os resultados do segundo trimestre para obter maior visibilidade sobre margem financeira (NIM), custo de risco (CoR) e dinâmica da carteira de crédito consignado privado, o que pode limitar o desempenho das ações no curto prazo.
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Atualmente, o Inter negocia a cerca de 1,15 vez o valor patrimonial estimado para 2026, patamar que o JPMorgan considera atrativo diante da expectativa de ROE de aproximadamente 15,5%. Com isso, o banco mantém classificação
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A XP Investimentos avalia que o evento reforçou a confiança da administração no potencial de monetização de longo prazo da plataforma, mas também indicou um caminho mais lento e mais intensivo em investimentos para expansão da rentabilidade do que o mercado esperava.
Segundo a corretora, a reação negativa das ações após o evento, refletiu uma leitura mais cautelosa dos investidores sobre o novo framework estratégico apresentado pela companhia e sobre a trajetória de rentabilidade para os próximos anos.
Na visão da XP, o principal ponto de atenção não foi a estratégia em si, mas o sinal transmitido pelos novos objetivos e premissas operacionais. A administração do Inter reconheceu, na prática, um processo mais gradual de normalização da rentabilidade, ao postergar a meta de retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 30% para 2029.
Além disso, a corretora destacou que a nova projeção implícita para índice de eficiência ficou mais próxima de 35%, acima da meta original de 30% prevista no plano “60/30/30”.
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Embora a XP veja a nova abordagem como mais equilibrada entre crescimento e rentabilidade, incluindo investimentos mais robustos e potenciais ganhos futuros de eficiência com inteligência artificial ainda não incorporados às projeções, o mercado interpretou o movimento como uma diluição parcial da narrativa original apresentada pelo banco digital.
Diante da recalibração das expectativas de médio prazo e da reação negativa do mercado, a XP optou por manter postura mais cautelosa com as ações do Inter.
A corretora reiterou recomendação neutra para o papel e manteve preço-alvo de R$ 45 por ação para o fim de 2026.
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O Bradesco BBI, por sua vez, destaca que o evento alterou métricas importantes para o futuro, especialmente com uma visão mais clara das projeções para 2029 e do roteiro para alcançá-las. Assim, o banco considera positivas as novas métricas da empresa e aproveita a oportunidade para ajustar nossas estimativas, refletindo principalmente a maior pressão sobre o custo do risco.
Embora reconheça as preocupações dos investidores, o BBI vê uma avaliação atrativa de 7,8 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2026 e 1,2 vez o P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) estimado para 2026. O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de US$ 8,40.
Já o Morgan Stanley mantém classificação de venda, com preço-alvo de US$ 4,80, pois o Inter carece de suporte estrutural. “A fraca monetização de clientes, a limitada venda cruzada de crédito, a baixa rentabilidade dos empréstimos e a ausência de novas reduções de custos limitam o potencial de valorização”, explcia o banco. “Os retornos impulsionados pela alavancagem não devem ser recompensados e, com o ROE abaixo do Custo do Patrimônio Líquido (CoE), a avaliação parece excessiva.”
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