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Mais um trimestre fraco para o Banco do Brasil (BBAS3) e com corte de projeções. O banco estatal teve nova piora de resultados, ainda influenciado pela inadimplência no agronegócio e aumento das provisões. Com isso, na abertura do mercado, os ativos BBAS3 chegaram a cair mais de 5%, mas fecharam em queda bem mais modesta, de 1,32%, a R$ 22,50.
O BB encerrou o terceiro trimestre deste ano com lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, queda de 60,2% em relação a igual período de 2024. Na comparação com o segundo trimestre, o resultado ficou estável.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) fechou o terceiro trimestre em 8,4%, de 8,4% no segundo período deste ano e 21,1% há 12 meses. O indicador seguiu no menor nível desde 2016.
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A XP Investimentos ressalta que o lucro ficou ligeiramente acima da sua estimativa de R$ 3,6 bilhões, devido a despesas tributárias positivas, enquanto o desempenho da operação principal permaneceu pressionado: o custo de crédito aumentou para R$ 7,9 bilhões, impulsionado por uma maior deterioração da qualidade de crédito em todos os segmentos.
O índice de inadimplência, que considera atrasos de mais de 90 dias, subiu para 4,93% no terceiro trimestre, contra 4,21% no terceiro trimestre de 2024 e 3,33% no terceiro trimestre do ano passado. O resultado é influenciado principalmente pelo agronegócio, segmento onde o banco lidera na concessão de crédito, e na linha de cartões de crédito. Segundo a XP, esses números reforçam a visão de que a normalização é improvável no curto prazo.
No lado da receita, a margem financeira (NII) de R$ 26,4 bilhões ficou moderadamente acima das expectativas, enquanto as taxas de serviços e despesas ficaram em linha com o esperado.
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A Genial Investimentos também apontou o lucro acima das suas projeções, mas beneficiado por uma alíquota de imposto positiva de 18%, que ajudou a sustentar o resultado no trimestre. O lucro antes dos impostos, por sua vez, recuou 18,9% ante o 2T25 e 64,4% ante o 3T24, refletindo uma piora sequencial na qualidade dos resultados.
O lucro antes dos impostos ficou 26% abaixo das projeções do Itaú BBA, que também apontou a “qualidade ruim” dos números do banco.
A carteira de empréstimos recuou 1% em relação ao trimestre anterior, a receita líquida de juros ajustada ao risco caiu 8% em relação ao trimestre anterior e os serviços apresentaram desempenho fraco, parcialmente compensado pela contenção das despesas operacionais.
A Genial destaca três fatores negativos principais para o balanço:
- Inadimplência no agronegócio: seguiu em forte trajetória de deterioração, atingindo 5,34% (+1,85 ponto percentual, ou pp, trimestre a trimestre; +3,37 pp anualmente), com concentração nas cadeias de soja e milho na região Centro-Oeste. “Embora não tenha ocorrido quebra relevante de safra, a queda acentuada dos preços e a elevada alavancagem dos produtores levaram a um aumento expressivo nos atrasos e pedidos de recuperação judicial”.
2. Custo de crédito saltou +77,7% ano a ano e +12,7% ante o 2T25, totalizando R$ 17,9 bilhões, refletindo a piora rápida da qualidade da carteira e o fluxo concentrado de vencimentos do crédito agrícola no trimestre, além dos impactos da Resolução 4.966.
3. Gradual avanço da inadimplência também no segmento de PF. O segmento é impactado também pelo agro, pois cerca de 40% da carteira PF são de produtores rurais.
“Mais do que o resultado em si, os mercados buscavam sinais de que o pior já havia passado, o que, em nossa opinião, não parece ser o caso. Os empréstimos inadimplentes aumentaram 70 pontos-base em relação ao trimestre anterior, impulsionados por problemas persistentes no agronegócio, mas também por empréstimos de pessoas físicas, com os empréstimos inadimplentes de cartão de crédito saltando 240 pontos-base em relação ao trimestre anterior”, avalia o BBA.
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A formação de NPLs (a variação do saldo de créditos em atraso) aumentou mais 30 pontos-base, após um 2T25 pressionado, atingindo R$ 20 bilhões. As provisões líquidas saltaram 13% em relação ao trimestre anterior, para R$ 18 bilhões. A receita líquida de juros está reagindo com spreads (diferencial entre a taxa de aplicação e captação) melhores, mas a desaceleração dos volumes, aliada à persistência de problemas de qualidade de ativos em todos os segmentos, deve impactar negativamente as estimativas para o ano fiscal de 2026, avalia o BBA.
Revisões para baixo
Neste sentido, junto aos resultados, o Banco do Brasil revisou novamente suas projeções, elevando a faixa do custo de crédito de R$ 53–56 bilhões para R$ 59–62 bilhões, e reduzindo a projeção de lucro líquido ajustado para R$ 18–21 bilhões (ante R$ 21–25 bilhões anteriormente), em linha com as expectativas da XP.
Para o BBA, a revisão para baixo das projeções evidencia a visibilidade limitada dos problemas em andamento, o que deve manter os múltiplos pressionados.
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O Bradesco BBI também aponta que, apesar da visão otimista de que a rentabilidade se recuperaria claramente no 4T25, as tendências mais recentes indicam que a recuperação será mais gradual e implica um lucro líquido ainda menor do que a estimativa conservadora dos analistas da casa.
“Embora a administração já tivesse previsto um trimestre desafiador, este foi ainda mais fraco do que o esperado e a revisão das projeções levanta dúvidas sobre se haverá uma recuperação no 4º trimestre de 2025”, reforça o Goldman Sachs.
Na visão da Genial Investimentos, a recuperação estrutural do banco estatal dependerá da capacidade do BB de renegociar, sanear e limpar a carteira rural, cujos efeitos se estendem às carteiras de PJ e PF — movimento que pode destravar valor a partir de 2026, especialmente com o suporte da MP 1.314, que que garante renegociação de dívidas rurais e introduz mecanismos de alongamento e recomposição do crédito rural.
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Os analistas esperam que as ações reajam negativamente no curto prazo, refletindo o resultado fraco e a revisão para baixo do guidance. Ainda assim, o BB permanece negociando a múltiplos bastante descontados, aponta.
A Genial acredita que há espaço para melhora gradual dos fundamentos e rentabilidade à medida que o ciclo de crédito rural se normalize. Além disso, um cenário de alternância presidencial em 2026 poderia atuar como catalisador adicional de reprecificação, reduzindo a percepção de risco político e destravando os múltiplos do setor público.
“Ou seja, com fundamentos em recuperação, múltiplos atraentes e cenário eleitoral atuando como possível gatilho, o papel do banco estatal pode se tornar atrativo ao longo de 2026′”, destaca. Contudo, no momento, a Genial segue com a recomendação de manutenção, com preço-alvo de R$ 24,00, implicando potencial de valorização de 5,3%.
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Na mesma linha, a XP tem recomendação neutra para BBAS3, enquanto aguarda sinais mais claros de melhora. O Itaú BBA também tem recomendação equivalente – marketperform, desempenho em linha com a média do mercado – com preço-alvo de R$ 23 por ativo. O Goldman também tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 22,80.