Banco Central trabalhará com inflação de 8,5% para 2003

Meta ajustada foi elaborada em função da estimativa de 14% para a inflação dos preços administrados; projeção é inferior à expectativa do mercado

Publicidade

SÃO PAULO – O Banco Central divulgou, nesta terça-feira, carta aberta ao Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em que definiu que a meta de inflação ajustada para 2003 será de 8,5%.
BC trabalhará com inflação de 8,5%

De acordo com o BC, a meta ajustada de 8,5% para este ano foi elaborada em função da estimativa de 14% para a inflação dos preços administrados, como tarifas públicas, combustíveis, entre outros.
O Banco Central ainda ressaltou, na carta enviada ao Ministério da Fazenda, que a meta ajustada poderá ser alterada caso ocorram novas estimativas para o efeito primário do choque dos preços administrados por contrato e monitorados.
Além disso, o BC se comprometeu a perseguir uma trajetória de convergência para as metas definidas anteriormente pelo Conselho Monetário Nacional e que foram recentemente reafirmadas pelos ministros da área econômica, levando-se em conta que tal convergência não se dará de maneira instantânea.
Árdua tarefa

O Banco Central terá um prazo de dois anos para trazer o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para a meta de 3,75% em 2004, com margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais.
Apesar de a inflação poder atingir até 6,25% no próximo ano, o BC terá árdua tarefa, visto que o IPCA encerrou 2002 contabilizando alta de 12,53%. Porém, com prazo maior, a autoridade monetária terá maior flexibilidade para administrar a taxa de juros e evitar que a alta dos preços estoure o teto da meta.
A previsão de inflação de 8,5% pode ser considerada otimista visto que, segundo o relatório Focus do Banco Central, que compila a opinião de cem analistas, o mercado espera que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registre alta de 11,19% em 2003.