Banco Central reduz exigência para exposição cambial dos bancos

Rolagem de cambiais será realizada em no máximo duas etapas; detalhes da operação serão fornecidos um dia antes

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SÃO PAULO – O Banco Central anunciou, após as negociações dessa quarta-feira, mudanças nas regras para rolagem das dívidas cambiais, que será agora realizada em no máximo dois leilões, além da redução pela metade da exigência de capital para a exposição líquida em dólar pelas instituições financeiras, refletindo a maior liquidez e menor volatilidade no mercado de câmbio.

Rolagem em no máximo dois leilões

A partir de agora, a rolagem dos vencimentos cambiais será feita em no máximo dois leilões, independentemente do percentual da dívida alongada. Também, o primeiro leilão será realizado na quarta-feira que anteceda em pelo menos cinco dias úteis o vencimento dos papéis. No caso de necessidade de um segundo leilão, ele terá de ser realizado um dia útil após o primeiro.
A autoridade monetária também comunicou que anunciará o leilão um dia útil antes de sua realização, quando também realizará pesquisa com as instituições que operam no mercado de câmbio para verificar a demanda por títulos cambiais e conseqüentes prazos.

BC reduz pela metade exigência para exposição em dólar

Além disso, o Banco Central reduziu para 50% o capital mínimo que os bancos precisam ter para operar no mercado de câmbio, medida que também vale para as aplicações em ouro, o que tende a facilitar a exposição cambial de instituições financeiras. A autoridade monetária informou que a decisão refletiu a redução da volatilidade cambial.

Vale lembrar que em outubro de 2002, diante de um cenário de forte depreciação do câmbio e volatilidade, o BC havia feito exatamento o oposto, elevando a capitalização mínima necessária para atender à exposição cambial líquida de 50% para 100%. Dessa maneira, com o melhor cenário, o BC reduziu também de 60% para 30% o limite máximo da posição cambial líquida como proporção do patrimônio ponderado das instituições financeiras.

O diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy, afirmou que a medida não deve ter impacto no câmbio, visto que a exposição cambial está em torno de 20%, abaixo do limite de 30% do patrimônio liquido. Com isso, segundo Darcy, a menor exigência de capital para operações liberará R$ 3 bilhões de patrimônio aos bancos que poderão ser utilizados em novas operações.

Além disso, o Banco Central estaria estudando elevar o limite máximo de exposição dos bancos de forma a retomar aos padrões anteriores ao início da crise do segundo semestre de 2002. Com as melhoras das perspectivas, o mercado acredita que as alíquotas de depósitos compulsórios, que foram elevadas em agosto e outubro de 2002 e em fevereiro de 2003, possam ser reduzidas.