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SÃO PAULO – A forte especulação no mercado cambial e as dificuldades enfrentadas pelo Banco Central para rolar o endividamento indexado em moeda estrangeira nas últimas semanas levaram a autoridade monetária a anunciar novas medidas no final da tarde desta segunda-feira.
Com a percepção do mercado de que boa parte do movimento especulativo com o dólar seja relacionado às tesourarias dos bancos, as novas medidas afetam diretamente a capacidade das instituições financeiras de carregarem posições cambiais líquidas.
Exposição cambial dos bancos deve ser afetada
O Banco Central decidiu no final da tarde desta segunda-feira elevar a requisição de capital próprio exigido dos bancos para riscos de perda com variação cambial. Assim, segundo determinado pela autoridade monetária, quando a exposição cambial superar o limite de isenção de 5% sobre o capital, a capitalização mínima necessária para atender essa exposição subiu de 50% para 75%.
Com isso, o BC repete a decisão tomada em 26 de setembro de 2001, quando elevou o percentual da exposição cambial líquida de 33% para 50%. Com isso, o mercado acredita que muitas instituições financeiras terão que se desfazer de posições compradas em moeda estrangeira para adequarem-se à nova regra, num prazo máximo de cinco dias úteis. Caso não haja uma venda maciça de dólares, o BC aposta que, pelo menos, o apetite para comprar a divisa norte-americana, principalmente para especulação, tenderá a diminuir.
Assim, a elevação do índice de ponderação de risco relativo à exposição cambial funciona como uma intervenção no mercado, na prática. Isso porque os bancos terão que aumentar rapidamente seu patrimônio líqüido para poderem sustentar suas posições compradas em dólares, o que é pouco provável, pelo menos no curtíssimo prazo. Além disso, a autoridade monetária poderá diminuir as vendas de dólares no mercado para conter a alta do dólar e, conseqüentemente, reduzir o volume de recursos gastos das reservas internacionais para essa finalidade.
Moeda norte-americana fecha em queda
Após ter operado em forte baixa durante a manhã, o dólar refletiu o temor com a rolagem de dívida cambial pelo BC e fechou em queda de apenas 0,29%, cotado a R$ 3,7290 na venda. Mesmo com esta queda, porém, a moeda norte-americana ainda acumula uma alta de 18% nos últimos trinta dias e de 61% desde o início de 2002.