Banco Central da Dinamarca surpreende ao elevar juro e pesa sobre bolsa do país

Alta de 50 pontos-base no juro básico mira conter desvalorização da moeda nacional, embora país ameace voltar à recessão

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SÃO PAULO – Surpreendendo as expectativas do mercado, o Banco Central da Dinamarca optou nesta sexta-feira (24) por elevar a taxa básica de juro do país em 50 pontos-base, atingindo com isso o patamar de 5,5% ao ano.

A decisão de apertar a política monetária dinamarquesa, “parte de uma contínua intervenção para suportar o krone”, é a segunda do tipo neste mês, uma vez que a autoridade já havia promovido um aumento de 40 pontos-base no juro no dia 7 de outubro.

O objetivo do Banco Central dinamarquês é conter a desvalorização da moeda nacional, o krone, frente ao euro. Todavia, o aperto monetário pode implicar mais dificuldade para a retomada do ritmo de crescimento da economia, que se recupera de uma recessão.

Após dois trimestres consecutivos de atividade econômica negativa, a Dinamarca registrou no segundo trimestre deste ano uma leve expansão em seu PIB (Produto Interno Bruto) de 0,4%. Mas seus indicadores seguem desfavoráveis: o governo anunciou nesta sexta-feira que o nível de confiança do consumidor atingiu em outubro seu menor nível nos últimos dezenove anos.

Contra vizinhos

Além de contrariar as projeções do mercado, a decisão de elevar novamente o juro básico dinamarquês vai contra as posturas monetárias adotadas por seus vizinhos nórdicos. A Suécia reduziu na última quinta-feira sua taxa básica de juro em 50 pontos-base, ao passo que a Noruega cortou o seu respectivo juro em 25 pontos-base em 15 de outubro.

Embora o clima em geral não esteja favorável aos negócios, a decisão do Banco Central da Dinamarca repercute negativamente sobre a bolsa de Copenhague, que fechou o pregão em forte queda.