Banco Central anuncia troca de Bradies por bônus globais

Serão trocados Par, Discount e C-Bonds por Globais 2011 e 2024; também poderão ser emitidos novos Globais 2011 para a captação de recursos

Publicidade

SÃO PAULO – O Banco Central anunciou nessa sexta-feira uma operação de troca de Bradies por bônus globais, levando à melhora do perfil da dívida, além de aumentar o apetite dos fundos de investimentos pelos bônus brasileiros.

A operação, coordenada pelo JP Morgan Chase e pelo Morgan Stanley e que será encerrada às 14h00 de 29 de julho, envolverá a troca de Par Bonds e Discount Bonds por Globais com vencimentos em 2011 e 2024, além da troca de C-Bonds por uma nova série do Globais 2024, que se diferencia dos demais por ter cláusula de acordo coletivo (CAC).

Finalmente, a autoridade monetária, no caráter de agente do Tesouro Federal, afirmou que podem ser emitidos novos Globais 2011 para captar novos recursos.

Continua depois da publicidade

Tendência de mercado

Além de não ser a primeira operação de troca de dívida externa realizada pelo Brasil, esta operação segue a tendência registrada nas últimas semanas, quando foram concluídas operações similares para o México e a Venezuela.

Com isso, o Brasil volta a mostrar um programa de administração mais ativa de sua dívida externa, o que acaba favorecendo não somente os investidores, que recebem papéis mais adequados para suas expectativas de fluxo de caixa, mas também para o país, que consegue reduzir o estoque nominal da dívida externa.

Entenda o que são os Bradies

Os Brady Bonds são títulos emitidos por vários países emergentes, dentre os quais o Brasil, para substituir dívidas com pagamento em atraso ou não pagas. São denominados Brady Bonds em referência ao ex-secretário do Tesouro Americano, Nicholas Brady, que liderou os esforços de redução da dívida externa de países emergentes, sobretudo junto aos bancos privados.

O mecanismo de substituição de títulos incluiu a recompra da dívida antiga com desconto pelo país devedor ou a troca do endividamento anterior por novos bônus, muitas vezes garantidos por títulos do Tesouro norte-americano