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SÃO PAULO – As taxas de inflação, que antes eram a base para as decisões de política monetária em todo o mundo, estão sendo deixadas de lado pelas principais autoridades monetárias. O novo modelo – incluindo o Brasil – estão sendo movidos em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).
A ideia é relativamente simples e não é nova: os Bancos Centrais passam a perseguir um certo crescimento da atividade econômica por ano. Num cenário de forte crescimento, a “calibragem” deve ser o de manter a inflação baixa. Com crescimento abaixo do potencial, como é o caso dos últimos anos, a diferença poderia ser de estímulos monetários até inflacionários através de baixas taxas de juro ou simplesmente através de injeção de capital, focando exclusivamente em crescimento econômico.
Mudanças de rumos na atuação dos BCs
O Finantial Times, por exemplo, cita o presidente da autoridade monetária do Canadá, Mark Carney, ao adotar uma política radical, impondo “bandas” para o nível de crescimento do PIB. Já o Banco Central inglês propôs um debate sobre qual seria o papel dele na economia.
Enquanto isso, o Federal Reserve colocou a condição de só diminuir os estímulos à economia quando a taxa de desemprego nos EUA fosse para 6,5%. Neste cenário, o crescimento econômico seria uma versão mais drástica do mesmo assunto; a autoridade estaria colocando maior peso na atividade, com menor inflação no presente e maior no futuro.
Enquanto isso, o professor de Harvard, Jeffrey Frankel, ressalta que uma meta de crescimento econômico pode levar a crescimento econômico real ou se não, levar a queda das taxas de juros automaticamente, empurrando a demanda. As bandas para crescimento podem ser escolhidas de modo a acelerar o crescimento a níveis pré-recessão.
Já o ex-presidente da BBC, Gavyn Davies, ressalta que Bernanke pode ser seguramente classificado como bastante flexível em sua política de inflação. “Isso pode ser verdade, mas os mercados também devem reconhecer que ele tem alterado a sua política de reação”, avalia. Davies ressalta que não se sabe se o Federal Reserve tem os instrumentos necessários para reduzir o desemprego, mas há muito espaço para tentativas.
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Entretanto, conforme ressalta o artigo da The Atlantic, esta mudança não significa que o Fed atinja os patamares de crescimento em breve, dado o ambiente de maior aversão ao risco. Neste cenário, as mudanças apontadas pelo presidente do Federal Reseve de Chicago, Charles Evans, com as políticas de taxa de juro sendo condicionadas à taxa de desemprego podem não salvar a economia atualmente, mas representa um avanço conceitual bastante expressivo.