Baixa renda reage à inflação, mas aumenta consumo de itens não básicos

Para driblar a alta dos preços, classes D e E diminuem consumo de itens básicos, mas não abrem mão dos que conquistaram

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SÃO PAULO – Os consumidores de baixa renda estão reagindo ao aumento da inflação, mas de uma maneira diferente. Apesar do aumento dos preços, as classes D e E elevaram em 10% o consumo de itens não básicos, ao passo que frearam o consumo de itens básicos, que caiu 2% no primeiro trimestre deste ano.

Os números da Kantar Worldpanel, que ouviu 8,2 mil brasileiros, mostram que, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o aumento do consumo de itens não básicos por parte da baixa renda foi menos intenso neste primeiro trimestre, pois o crescimento foi de 19% em 2010. Ainda assim, um aumento de 10% no consumo de itens pouco essenciais em tempos de inflação até surpreende.

Para a diretora Comercial da Kantar, Christine Pereira, a explicação está no fato de as classes D e E terem conquistado espaço no supermercado há pouco tempo e agora não querem perdê-lo. “Eles ainda estão no momento de colocar outros itens no carrinho”, afirma.

Conquista
Christine explica que o recente crescimento da renda dessa parcela da população possibilitou um maior acesso a itens de consumo mais sofisticados. E depois de conquistado esse acesso, eles não querem perdê-lo tão cedo. “Com isso, ele reduz a frequência de compra de itens básicos”. E não deixa de consumir os não básicos – que na pesquisa referem-se a produtos mais sofisticados da cesta de alimentos, higiene e limpeza.

Dentre os itens considerados não básicos, o aumento do consumo por parte da baixa renda ocorreu, principalmente em produtos como cremes e loções. Já dentre os itens básicos, a inflação fez a baixa renda consumir menos extrato de tomate, café torrado, sabão em pedra, açúcar e farinha de trigo – que foram os itens que apresentaram as maiores altas nos últimos meses.

Classes A, B e C
O estudo aponta que considerando as demais classes, houve um aumento de 13% no consumo de itens não básicos por parte da classe C no primeiro trimestre deste ano. No ano passado, a elevação frente a 2009 também foi de 13%. Já considerando os itens básicos, o consumo da nova classe média manteve-se estável.

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Já as classes A e B desaceleraram mais o consumo. No primeiro trimestre deste ano, o aumento foi de 4% para itens não básicos. Em 2010, a alta foi maior, de 11%. Quanto aos itens básicos, o consumo foi 3% maior.

De uma maneira geral, considerando os consumidores de todos os estratos de renda, o consumo de itens não básicos aumentou 9%, ao passo que o consumo dos produtos básicos permaneceu estável.