Oportunidades no radar

Bain Capital enxerga oportunidades entre ativos caros

“Definitivamente, ainda há oportunidades no mercado”, disse Jonathan Lavine em entrevista ao programa Bloomberg Front Row

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(Shutterstock)

(Bloomberg) — Os valores elevados dos ativos não estão impedindo a Bain Capital de encontrar oportunidades em private equity e crédito — muitas vezes em locais inesperados, de acordo com Jonathan Lavine, um dos sócios-gestores.

“Definitivamente, ainda há oportunidades no mercado”, disse Lavine em entrevista ao programa Bloomberg Front Row. “Sem sombra de dúvida, os múltiplos são preocupantes em quase toda parte, mas isso não significa que não dá para encontrar valor com uma grande equipe olhando para nichos e algumas tendências contrárias.”

Um exemplo da abordagem da Bain de fugir do que é moda é que, em junho, com a pandemia da Covid-19 sufocando o setor de viagens, a firma sediada em Boston deu um lance vencedor para comprar a Virgin Australia Holdings por cerca de US$ 2,5 bilhões.

Mesmo com as economias globais sob enorme estresse, a Bain — famosa pelas aquisições alavancadas de varejistas, incluindo a Toys ‘R’ Us, em 2005 — não ficou de braços cruzados.

Tentando capitalizar oportunidades durante a pandemia, a Bain levantou no ano passado US$ 3,2 bilhões para um fundo voltado para dívidas inadimplentes e situações especiais. Também comprou mais de US$ 5 bilhões em ativos de capital fechado, prorrogou mais de US$ 1,5 bilhão em empréstimos privados e vendeu quase US$ 8 bilhões em ativos, disse Lavine, 54 anos, que trabalha na Bain Capital desde 1993.

“Há menos retorno a ser gerado a partir do beta de mercado e mais da seleção de ativos individuais”, acrescentou Lavine.

Enquanto rivais de maior porte, incluindo Blackstone Group, Apollo Global Management e Brookfield Asset Management, continuam captando rapidamente, a Bain caminha no seu próprio ritmo.

“Temos bastante escala, mas não estamos diante de US$ 1 trilhão ou algo parecido”, disse ele, se referindo ao total de ativos sob gestão. “Isso não é necessariamente um objetivo ruim em si, principalmente para uma firma de capital aberto. Somos uma organização de capital fechado e, portanto, abordamos o crescimento de forma diferente.”

A firma administra cerca de US$ 120 bilhões, enquanto a divisão de crédito, que Lavine fundou em 1998, administra aproximadamente US$ 44 bilhões.

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A expansão do setor atraiu olhares mais críticos e, com a eleição de Joe Biden à Casa Branca, pode haver aumento nas regulamentações federais e mudanças na tributação do segmento.

“Se houver um conjunto de regras aceito por todos, cuidadosamente elaborado e aplicado de maneira uniforme, não acho que isso seja necessariamente algo ruim”, disse o executivo.

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