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O atraso de quase três horas para o início do pregão desta sexta-feira acabou se refletindo diretamente na liquidez da Bolsa brasileira. Com a sessão reduzida, o volume financeiro negociado no Ibovespa somou R$ 13,6 bilhões, de acordo com a plataforma Profit, abaixo da média diária registrada ao longo do mês, de R$ 14,7 bilhões.
A redução do giro era esperada diante do encurtamento da janela de negociações. Sem as primeiras horas do pregão, parte dos investidores e operadores deixou de executar estratégias que normalmente são realizadas logo na abertura dos mercados, período tradicionalmente marcado por elevada movimentação.

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Apesar disso, especialistas avaliam que nem todo o volume que deixou de ser negociado pela manhã pode ser considerado perdido. A economista Bruna Centeno, sócia da Blue3 Investimentos, diz que os impactos ficaram restritos ao giro financeiro menor e à queda nas receitas, de ao menos 4%, segundo ela. “O volume financeiro ficou abaixo da média, lembrando que sexta-feira já é um dia que não tem tanta liquidez. Então, o principal efeito foi essa questão da receita que naturalmente é afetada”, disse
Segundo João Henrique Delibaldo, planejador financeiro certificado CFP pela Planejar, uma parcela relevante das operações tenderia a ser apenas transferida para o período posterior à reabertura.
“Sobre volume, eu evitaria dizer que tudo o que deixou de ser negociado pela manhã foi ‘perdido’. Parte desse volume provavelmente foi apenas deslocada para o período posterior à abertura, especialmente ordens institucionais, ajustes de carteira e operações que precisam ser executadas no mesmo dia”, afirma.
De acordo com ele, investidores institucionais, gestores e fundos frequentemente precisam concluir determinadas operações independentemente do horário de início do pregão. Nesses casos, a demanda reprimida acaba sendo concentrada no período restante da sessão.
Por outro lado, Delibaldo destaca que há perdas potenciais em segmentos mais dependentes do fluxo contínuo de negociações. “Há, sim, uma perda potencial em operações de curtíssimo prazo, arbitragem, giro de investidores pessoa física e estratégias intradiárias que dependem da janela normal de liquidez”, observa.
A concentração das negociações em um período menor também tende a alterar a dinâmica do mercado. Com mais ordens acumuladas aguardando execução, a reabertura pode provocar movimentos mais intensos nos preços logo nos primeiros minutos de negociação.
“Na prática, o efeito deve ser uma sessão mais concentrada, com maior volume logo após a liberação das negociações e possível aumento de volatilidade no início”, afirma o especialista. Esse comportamento ocorre porque investidores e algoritmos buscam reposicionar rapidamente suas carteiras após o período de interrupção.
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Para os investidores pessoa física, o planejador recomenda cautela em momentos de retomada após paralisações operacionais. Segundo ele, o acompanhamento dos leilões de abertura e o uso de ordens limitadas ajudam a reduzir o risco de execução em preços distorcidos.
Na visão de Delibaldo, desde que os sistemas de negociação, compensação, liquidação e gerenciamento de risco estejam plenamente regularizados, uma abertura mais tardia é preferível a uma retomada apressada que possa gerar inconsistências de preços, posições ou liquidações.