Azzas 2154 (AZZA3): pressão de margens afeta 4T e ação cai mais de 13% após resultado

Companhia registrou queda de 35,8% no lucro no quarto trimestre

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Loja da Arezzo. (Reprodução do Facebook)
Loja da Arezzo. (Reprodução do Facebook)

Publicidade

As ações da Azzas 2154 (AZZA3) registraram forte desvalorização nesta quarta-feira (12), após a varejista de moda lucrar 35,8% menos no quarto trimestre de 2024 (4T24). O ativo da companhia caiu 13,39%, cotado a R$ 22,89.

O Itaú BBA avalia que o lucro líquido 20%, abaixo de suas estimativas, reflete a pressão mais ampla da margem bruta devido a reduções de preço e maiores despesas com SG&A (de vendas, gerais e administrativas), especialmente na AR&Co.

Para o BBA, a contração da margem Ebitda (Ebitda, lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita) em 120 pontos-base (bps) pode adiar ainda mais as expectativas dos investidores quanto a um ponto de inflexão na pressão sobre as margens.

Não perca a oportunidade!

Do lado positivo, a queima de caixa da Azzas 2154 de R$ 89 milhões no quarto trimestre foi melhor do que as estimativas do BBA de R$ 240 milhões, impulsionada por menores dias a receber, que mais do que compensaram um capex maior.

O Itaú BBA manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 47, com base na avaliação atraente de 6,9 vezes Preço/Lucro para 2025, que está significativamente abaixo da maioria das outras ações de varejo de 10 vezes.

A XP Investimentos avalia que a Azzas reportou mais um trimestre nublado, com sólido crescimento de receita, mas margens pressionadas pelos ajustes operacionais pós-fusão.

Continua depois da publicidade

Segundo a XP, a rentabilidade foi novamente o ponto negativo, com uma queda de 10% no Ebitda. A margem bruta recorrente caiu 0,6 ponto percentual (p.p.) na base anual, dado que um mix de canais positivo foi compensado pelos ajustes de estoque da Reserva e maiores descontos em marcas descontinuadas.

Enquanto isso, a margem Ebitda ajustada recorrente caiu 1,2 p.p. na comparação ano a ano, ainda impactada por ajustes após a fusão, como custos de operação duplos na Reserva e custos de viagem, além de maior penetração no DTC (direto ao consumidor) e investimentos em branding e na equipe criativa da Farm/NV.

Leia mais:

Já o lucro líquido foi impactado por resultados financeiros mais pesados e menores subsídios fiscais, embora tenha ficado acima das expectativas, enquanto a geração de caixa (excluindo M&A) foi positivo em R$ 170 milhões, embora tenha caído 27% na base anual devido a maiores necessidades de capital de giro e investimentos em Capex.

Para o BTG, a Azzas registrou um crescimento decente da receita, como esperado, mas o EBITDA ficou abaixo de suas estimativas, com despesas adicionais devido à integração das operações da Arezzo e Soma e à otimização do portfólio.

“Desde o início do processo de integração, o desempenho das ações tem sido ditado principalmente pelo fluxo de notícias sobre a fusão de Arezzo-Grupo Soma (principalmente as sinergias do negócio) e esperamos que continue assim”, comenta o BTG.

Continua depois da publicidade

Segundo as estimativas do BTG, levando em conta todos os fatores, os R$951 milhões do ágio da Hering mais R$2,2 bilhões do VPL (valor presente líquido) das sinergias poderiam resultar em um total de R$ 3,1 bilhões.

No entanto, na opinião do BTG, por ser um negócio complexo que cria um player gigante com múltiplas marcas (e culturas diferentes) em vestuário/calçados, sem mencionar os riscos de execução no processo de integração, esses fatores devem significar que o mercado ficará em modo de espera antes de pagar antecipadamente por todos esses ganhos. Apesar disso, o BTG reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 49.

O Goldman Sachs destaca o forte crescimento de vendas no 4T24, mas aponta que a margem da companhia decepcionou devido a ajustes contínuos e investimentos em suporte à marca.

Continua depois da publicidade

Entre os destaques positivos, o Goldman ressalta que a marca Hering registrou um forte crescimento nas vendas diretas ao consumidor (sell-out), acompanhado por uma melhora no ritmo das vendas para o varejo (sell-in), especialmente no canal multimarcas. Por outro lado, as vendas de calçados continuaram fracas, embora tenham mostrado uma leve melhora em relação ao 3T24.

O Goldman manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50.

O JPMorgan, por sua vez, destaca que a Azzas divulgou resultados operacionais fracos no trimestre.

Continua depois da publicidade

De acordo com o JPMorgan, desempenho abaixo do esperado foi impulsionado por maior pressão na margem bruta devido a descontos para otimização do portfólio, aumento das despesas com SG&A impulsionado por investimentos para fomentar o crescimento e despesas duplicadas relacionadas à transição de liderança na AR&Co.

O banco americano manteve recomendação de compra para ação da Azzas, com preço-alvo de R$ 41.