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O Bradesco BBI revisou a recomendação para as ações da Azul (AZUL53) de underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para neutra, com um novo preço-alvo de R$ 273 (ou potencial de alta de 16% em relação ao fechamento de segunda-feira).
O movimento aconteceu após a aérea anunciar na sexta-feira (20) a conclusão de seu processo de reestruturação financeira, marcando sua saída formal do Chapter 11 (recuperação judicial) nos Estados Unidos. Contudo, as ações fecharam em queda de 11,07%, a R$ 208,99.
Com o encerramento do processo, a companhia reduziu sua dívida de empréstimos e financiamentos em cerca de US$ 1,1 bilhão, cortou em aproximadamente 40% o endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros em comparação com o período anterior ao Chapter 11.
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Além disso, estima que seus gastos recorrentes com leasing serão reduzidos em cerca de um terço. O plano foi viabilizado pela captação de aproximadamente US$ 1,375 bilhão em Sênior Notes e US$ 950 milhões em aportes de capital.
O banco elevou a recomendação refletindo a melhora estrutural no perfil financeiro da companhia após a reestruturação e a atualização do modelo para incorporar a nova base acionária, já considerando os efeitos da diluição.
O novo preço-alvo é derivado de um múltiplo alvo de 4,3 vezes o EV (valor da firma)/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2027, aplicado com desconto em relação aos pares LATAM e COPA, dado o crescimento mais moderado projetado para o Ebitda da Azul —cerca de 6% no comparativo anual entre 2027 e 2029, frente ao ritmo de 7% a 8% estimado para outras companhias da região.
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“Embora a desalavancagem avance de forma relevante, ainda vemos um cenário de execução desafiador no médio prazo”, apontam os analistas.
A visão do banco é de que, com a conclusão do processo de reestruturação, a Azul pode se concentrar exclusivamente na execução do seu Plano de Negócios, atualizado em 21 de janeiro de 2026.
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Os ajustes realizados no Plano de Negócios incluem: 1) oferta total (ASK) +1% em relação ao plano de outubro para 2026 e 2027; 2) receita unitária de passageiros (PRASK) e receita operacional dividida pelo total de assentos-quilômetro oferecidos (RASK) -1% para 2026 em relação ao plano de outubro, mantidos para 2027; e 3) CASK (custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos) recorrente -2% em relação ao plano anterior para 2026, mantido para 2027.

