AWS voa, Amazon dispara: nuvem acelera pelo 5º trimestre e ação sobe 15%

Receita da nuvem salta 37%, para US$ 42,2 bi, maior ritmo desde 2021; empresa eleva capex para US$ 220 bi e fluxo de caixa vai ao negativo, mas investidores comemoram crescimento; ação tem maior alta intradia desde 2022

Bloomberg

Participantes de uma conferência organizada pela Amazon Web Services no Venetian Convention & Expo Center, em Las Vegas, Nevada.

Fotógrafo: Noah Berger/Getty Images
Participantes de uma conferência organizada pela Amazon Web Services no Venetian Convention & Expo Center, em Las Vegas, Nevada. Fotógrafo: Noah Berger/Getty Images

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As ações da Amazon dispararam depois que a empresa entregou mais um trimestre de aceleração na receita de computação em nuvem — o quinto consecutivo. O resultado aliviou o medo dos investidores de que os gastos bilionários para atender a demanda por inteligência artificial não fossem dar retorno.

A receita da Amazon Web Services (AWS), que responde por cerca de um quinto do faturamento total e pela maior parte do lucro operacional, saltou 37%, para US$ 42,2 bilhões. Foi o ritmo mais forte desde o quarto trimestre de 2021. Analistas esperavam, em média, US$ 40,6 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Assim como as outras gigantes da tecnologia, a Amazon está torrando dinheiro em data centers e chips para surfar a onda de demanda por IA e nuvem. A empresa gastou mais de US$ 53 bilhões em imóveis e equipamentos no trimestre encerrado em junho.

A Amazon também elevou a projeção de investimento (capex) para 2026 de US$ 200 bilhões para US$ 220 bilhões. O CEO Andy Jassy disse que a maior parte dessa grana vai para IA.

“Estamos excepcionalmente bem posicionados para essa virada de jogo da IA”, disse Jassy em teleconferência com analistas.

O efeito colateral: o fluxo de caixa livre foi para o negativo, com a Amazon registrando saída de US$ 7,6 bilhões nos 12 meses até junho.

Mesmo com o capex maior e fluxo de caixa negativo, “os investidores podem não se assustar, dado o ritmo acelerado de crescimento da AWS e o controle de custos em outras áreas”, disse Sky Canaves, analista da Emarketer.

Jassy disse que os investimentos vão desacelerar com o tempo, porque a empresa está construindo data centers do zero. As instalações duram 30 anos, enquanto os equipamentos internos precisam ser trocados a cada cinco ou seis anos. Ou seja: no futuro, o gasto para modernizar o que está sendo construído agora não será tão alto.

As ações da Amazon subiram quase 15% na abertura do pregão em Nova York — a maior alta intradia desde novembro de 2022.

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A rival Microsoft reportou na quarta-feira o maior crescimento da nuvem desde 2022 e sinalizou que vai segurar os gastos de capital neste ano. As ações dispararam na quinta-feira, na maior alta em um único dia desde 2008. Já a Alphabet (Google) caiu na semana passada, depois que a empresa reportou gastos mais pesados que o esperado e fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez em mais de 20 anos de capital aberto.

No segundo trimestre, a receita total da Amazon subiu 20%, para US$ 200,6 bilhões. Analistas projetavam US$ 197 bilhões.

Os negócios de IA e chips da Amazon atingiram a marca de US$ 25 bilhões em receita anualizada cada um, com crescimento de três dígitos ano contra ano.

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Para o trimestre atual, a Amazon projetou vendas entre US$ 197 bilhões e US$ 202 bilhões, com lucro operacional entre US$ 22,5 bilhões e US$ 26,5 bilhões. Analistas esperavam lucro de US$ 25,1 bilhões sobre receita de US$ 203,9 bilhões.

O e-commerce ainda responde pela maior fatia da receita, e Jassy segue apertando o cerco na entrega. As vendas online cresceram 15%, para US$ 70,4 bilhões no trimestre, ante estimativa de US$ 69,9 bilhões. A Amazon realizou o Prime Day em junho, que turbinou os gastos online em US$ 26,4 bilhões no varejo americano, segundo a Adobe.

A empresa também recebeu US$ 600 milhões em restituições de tarifas no trimestre. Parte desse dinheiro vai voltar para o bolso dos consumidores, disse o CFO Brian Olsavsky.

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