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SÃO PAULO – O otimismo com a possibilidade de um resgate de € 100 bilhões aos bancos espanhóis chegou ao fim. O anúncio de que a Espanha não atingirá sua meta de redução do déficit público este ano despertou o sentimento de aversão ao risco do mercado, o que fez disparar a demanda por juros dos títulos da dívida do país.
Nesta manhã, os papéis de longo prazo da Espanha, com vencimento em dez anos, registraram rendimento próximo de 7%, nível considerado perigoso pelo mercado, pois torna o pagamento da remuneração praticamente inviável, elevando o risco de calote. Quando chegaram nesse estágio, diversos países pediram um resgate internacional para lidar com os problemas de financiamento.
O clima de incerteza contagiou as negociações no mercado secundário de outros países do bloco, como a Alemanha. O rendimento exigido pelos títulos do país apresentou alta de 7,20% em relação ao dia anterior. Desta forma, a remuneração dos ativos frente ao valor de face chegou a 1,70% nesta terça-feira.
Promessa é dívida… literalmente
A instabilidade que se instalou pelo mercado de títulos nesta manhã tem como base o discurso do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. A autoridade afirmou que o país não conseguirá cumprir a meta de corte no déficit fiscal, imposta pela União Europeia. Este ano, a previsão era de redução do nível de endividamento para 5,3% do (PIB) Produto Interno Bruto. Para 2013, a meta é chegar a um patamar de 3%.
Enquanto a promessa é de mais dívidas na Espanha, na Grécia o clima é de eleição. No próximo dia 17 os gregos vão às urnas definir o próximo primeiro-ministro e, assim, o futuro do país na Zona do Euro.
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
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Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.
Confira o desempenho dos títulos públicos na Zona do Euro:
| País | Rendimento | Variação | Spread* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 29,42% | +1,80% | 28,02 |
| Portugal | 10,61% | -0,49% | 9,21 |
| Itália | 6,18% | +2,52% | 4,78 |
| Espanha | 6,73% | +3,41% | 5,33 |
| França | 2,68% | +4,65% | 1,28 |
| Alemanha | 1,40% | +7,20% | – |
* Diferença entre o rendimento de um título em relação ao ativo alemão. Cálculo em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg