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Aversão a risco mundial e Petrobras derrubam Ibovespa, que vai abaixo dos 180 mil

O movimento reflete a apreensão de investidores com os efeitos da guerra sobre a inflação global, em meio à divulgação do IPCA e inflação nos EUA

Estadão Conteúdo

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Painel de cotações na B3, em São Paulo
(Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)
Painel de cotações na B3, em São Paulo (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

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Os dados da inflação no Brasil e nos Estados Unidos atraem as atenções de investidores. Além disso, o mercado monitora o noticiário sobre o conflito no Oriente Médio, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamar de “lixo” a proposta feita pelo Irã para uma acordo de paz. Assim, o Ibovespa cai desde a abertura, acompanhando os índices das bolsas do ocidente nesta manhã, devido à falta de sinal sobre um fim da guerra no Oriente Médio, que tem mantido elevada preocupação com a inflação global.

Há pouco, o Índice Bovespa aprofundou o ritmo de queda e chegou a cair abaixo dos 180 mil pontos; na mínima, chegou a 179.969 pontos. O movimento reflete a apreensão de investidores com os efeitos da guerra sobre a inflação global, em meio à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

A despeito dos resultados dos indicadores de abril em linha com o esperado, trazem pouca influência sobre os ativos, dado que o foco maior continua sendo a guerra no Oriente Médio, diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. “Os índices de inflação sempre influenciam os mercados, mas não são surpresa. O que está pegando é o cenário externo”, diz.

Paralelamente, fica no radar, o lucro da Petrobras (PETR3;PETR4) abaixo do esperado. As ações da estatal caem, apesar da alta de mais de 3% do petróleo no exterior. Ainda completa este quadro de cautela o recuo de 0,98% do minério de ferro – que pesa nos papéis do setor de metais – e queda em bancos e algumas ações mais sensíveis ao ciclo econômico.

A despeito de o IPCA de abril ter ficado em linha com o previsto, o número cheio importa menos do que parece, diz Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital. “Núcleo e serviços subjacentes acelerando é uma história bem diferente e é exatamente isso que o Banco Central olha para calibrar a Selic”, afirma.

O lucro da Petrobras veio 21,5% abaixo do previsto pela média das cinco casas consultadas pelo Prévias Broadcast. A companhia, ainda, aprovou o pagamento de remuneração aos acionistas no valor de R$ 9,03 bilhões.

Para a Monte Bravo, a surpresa negativa no balanço da estatal é resultado de um descasamento entre entregas e preços no trimestre, o que indica que o resultado do segundo trimestre de 2026 deve apresentar uma dinâmica ainda mais positiva.

Divulgado nesta manhã, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou abril com alta de 0,67%, ante um avanço de 0,88% em março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa acumulada em 12 meses foi de 4,39%.

Os resultados do IPCA vieram em linha com a mediana das expectativas. Os números e juntamente com o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) podem reforçar apostas de corte da Selic em junho, mas manter dúvidas quanto aos próximos passos do Banco Central, devido às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.

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O IGP-M desacelerou a 0,27% na primeira prévia de maio, conforme divulgou a Fundação Getulio Vargas há pouco. Na primeira prévia de abril, o indicador avançou 0,95%.

Já a inflação ao consumidor dos EUA atingiu 0,6% em abril, dentro do esperado. Os dados podem ajudar a calibrar as estimativas para os juros norte-americanos.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,19%, aos 181.908,87 pontos. Foi o menor nível desde 27 de março.

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Às 11h31 desta terça-feira, o Ibovespa caía 1,01%,, aos 180.072,85 pontos, após abertura na máxima em 181.896,57 pontos (-0,01%).