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SÃO PAULO – Depois do desempenho abaixo da média da Petrobras (PETR3, PETR4), um possível anúncio sobre aumento de volume no pré-sal, além de um novo marco regulatório para o setor, poderiam agir como bons catalisadores para os papéis da empresa. É o que afirma a Itaú Corretora, em comentário sobre a teleconferência da Petrobras sobre o resultado trimestral da empresa, que aconteceu na última terça-feira (18).
Para os analistas, as informações sobre o pré-sal foram o grande destaque da teleconferência. De acordo com a Petrobras, se forem identificados ou confirmados volumes substanciais em Guará, a empresa pode fazer um anúncio, supostamente apresentando uma estimativa de volume para o bloco BMS9.
“Caso o volume seja significativo, isso poderia ter um impacto positivo nas ações”, disseram os analistas. O teste de formação em andamento em Guará provavelmente ainda demorará mais 45 dias para ser concluído.
A corretora reiterou a recomendação de sector-perform (desempenho em linha com a média do setor) para a Petrobras, com um valor justo para o fim de 2009 de R$ 42,7 para as ações preferenciais da empresa, frente ao seu valor atual de R$ 32,32.
Alta expectativa de produção
A empresa anunciou produção doméstica de petróleo de 1.938 bpd (barris de óleo equivalente por dia), um crescimento de 3,8% em comparação anual, que foi impulsionado por recuperação da produção após paradas programadas, e o aumento na produção de poços conectados às plataformas P35 e P53. “Os números devem continuar a avançar em agosto”, afirmam os analistas.
Apesar de admitir que sua meta para produção doméstica de petróleo é desafiadora, a Petrobras manteve projeções de seu crescimento médio da produção para o ano de 2.050 bpd com uma margem de erro de 2,5%. Os analistas, entretanto, não acreditam que a empresa consiga atingir esse objetivo, que exigiria um aumento mensal de 4% na produção até o final deste ano, e mantêm suas expectativas em 2.000 bdp.
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Mesmo discordando das projeções da empresa, a Itaú Corretora ressalta que a Petrobras terá o maior crescimento de produção no setor – até mesmo se não atingir suas metas.
Revisão de projeções
Por outro lado, a companhia admitiu que terá que revisar sua diretriz de capex para o ano, já que o valor já atingiu, em reais, mais da metade do guidance para 2009. O plano de investimentos atingiu R$ 32,5 bilhões no primeiro semestre, 56% mais do que no mesmo período do ano anterior. “Como a segunda metade do ano geralmente traz gastos maiores em capex, acreditamos que a empresa vai ultrapassar sua projeção de R$ 65 bilhões em 2009”, afirmaram os analistas.
Já o crack spread (margem de lucro entre o preço do óleo bruto e a refinação dos derivados) da empresa veio abaixo das expectativas dos analistas, devido à renegociação de contratos e recuo de preços de derivados no mercado internacional. A diminuição das importações de diesel, contudo, melhorou as margens.
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“Vale lembrar que as vendas de diesel continuam sob influência de uma menor atividade industrial, e o aumento da demanda provavelmente levará a um novo avanço das importações, reduzindo esse benefício”.
Custos e débito
Segundo a Itaú Corretora, a Petrobras afirmou que os custos não diminuíram de maneira significativa no segundo trimestre, já que a maioria dos gastos contabilizados no período é decorrente de contratos assinados há algum tempo, com outro cenário para o setor. Os custos com equipamentos e serviços de petróleo, no entanto, devem cair nos próximos trimestres.
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A corretora destaca que a participação da exploração, desenvolvimento e produção de petróleo no primeiro semestre foi inferior àquela determinada em seu plano estratégico. Apesar de a empresa afirmar que é difícil realizar tais comparações em um horizonte limitado, os analistas ressaltam que este é um fator a ser observado de perto daqui em diante, já que desvios constantes do investimento de US$174 bilhões estabelecido para os próximos cinco anos seria encarado como negativo pelo mercado.
Quanto às contas da Petrobras, a Itaú Corretora afirma que dinheiro para investimentos não é problema, mas o endividamento pode ser. Além dos R$ 10 bilhões em caixa que a empresa mantinha no final do segundo trimestre, ainda se somam empréstimos do BNDES, EximBank e China Development Bank. Entretanto, o aumento de 200 pontos-base do endividamento da empresa chamou a atenção dos analistas, que afirmam que a empresa pode ultrapassar seu limite de débito de 35% até o terceiro trimestre de 2011.