Avanço da China: quais as perspectivas para a economia que mais cresce

Governo chinês tem adotado medidas para refrear o aquecimento do país; juro deve subir mais em breve

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SÃO PAULO – A economia da China é foco de atenção em todo o mundo, já que cresce a uma taxa bem superior a de outras nações, impulsionando a economia mundial. O crescimento é tão elevado que chega a preocupar os dirigentes do país, que passaram a adotar medidas para refrear esse avanço, buscando um nível mais sustentável e que possa deter pressões inflacionárias.

Mesmo com essas medidas sendo tomadas, o PIB (Produto Interno Bruto) da China cresceu 9,1% no terceiro trimestre de 2004, na comparação com o mesmo período de 2003. No segundo trimestre, a expansão havia sido de 9,6%. Desse modo, no dia 28 de outubro deste ano, o banco central chinês (Banco Popular da China) elevou a taxa básica de juro da economia, pela primeira vez em oito anos, em 27 pontos base, de 5,31% para 5,58% ao ano.

Nesta quinta-feira, dia 4 de novembro, o banco de investimento norte-americano Merrill Lynch emitiu relatório, anunciando suas perspectivas para a economia chinesa. Que ela irá desaquecer, todos já sabem, mas o momento que isso ocorrerá ainda é incerto.

China atravessa uma fase de altos investimentos

Na opinião do banco de investimento, os elementos para o boom de investimentos continuam fortes na China: os lucros das companhias são elevados e as taxas reais de juro são baixas, o que diminui a atratividade dos títulos. Além disso, as exportações da China são extremamente competitivas no mercado global.

A elevação do juro básico foi apenas uma das medidas tomadas pelo governo chinês para tentar equilibrar melhor o ritmo da economia. Antes disso, foram adotadas políticas restritivas de crédito, por exemplo. O objetivo é deter o avanço de alguns setores, enquanto outros são encorajados.

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Para setores da indústria pesada, a intenção é desaquecer o crescimento, para impedir o excesso de oferta e reduzir a demanda por energia, infra-estrutura e matérias primas. Ao mesmo tempo, alguns setores são estimulados, como os investimentos em infraestrutura, como estradas, ferrovias e energia, uma vez que estes são os principais gargalos na economia chinesa.

Nesse sentido, as medidas administrativas têm sido eficientes para refrear a expansão da indústria pesada. No entanto, pouco provavelmente conseguirão deter o nível de investimento geral da economia chinesa.

Novo aumento no juro chinês

O banco Merrill Lynch aposta em novos aumentos no juro do país. Para o final de 2005, estima que este suba mais 140 pontos base. O banco afirmou, por outro lado, que será difícil elevar a taxa de juro com a moeda super depreciada, que favorece as exportações.

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Mesmo as medidas restritivas, porém, não devem ser suficientes para frear de forma significativa o crescimento chinês. A expectativa da Merrill Lynch é que o PIB do país asiático registre crescimento de 8% em 2005, abaixo, todavia, dos 9,2% previstos para este ano. A produção industrial, por sua vez, deve ser mais afetada, com o crescimento caindo 16% em 2004 para 11% no ano que vem.

Mesmo com a desaceleração, por outro lado, a inflação deve seguir em alta. Após ter passado de 1,2% ao ano em 2003 para uma previsão de 2,3% em 2004, a inflação ao nível do consumidor pode atingir 4,5% no ano que vem, caso as previsões da Merrill Lynch se concretizem.