Avaliando alta da Selic e PIB, juros futuros com prazos mais longos sobem

Copom elevou a taxa básica de juros em 50 pontos-base, de 11,25% para 11,75% ao ano; economia avançou 7,5% em 2010

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SÃO PAULO – Os principais contratos de juros futuros fecharam esta quinta-feira (3) sem tendência definida no mercado futuro da BM&F, mas com viés de alta no longo prazo, repercutindo a alta de 50 pontos-base na taxa de juros, anunciada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na sessão anterior. Os investidores também seguem avaliando os dados referentes ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2010.

Com a elevação do juro básico confirmada em 0,50 ponto percentual, o mercado passa por um reajuste de suas posições nos contratos de curto prazo, dada a presença de posições que incorporavam uma alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic. Os contratos de prazos mais alongados, por sua vez, lidam com a perspectiva de que com alta mais moderada agora, o Copom precisará pesar a mão em algum momento para controlar a inflação.

Aumento da Selic dentro do esperado
Na última quarta-feira (2), o Copom decidiu por promover um aumento de 0,50 ponto percentual do juro básico, elevando a taxa Selic de 11,25% para 11,75% ao ano. No contexto de combate à pressão inflacionária na economia, essa decisão é o segundo aumento consecutivo do juro básico e se junta às medidas macroprudenciais que restringiram a oferta de crédito.

Para a próxima reunião do Copom, que acontece nos dias 19 e 20 de abril, os consultores da LCA esperam por uma nova alta de 0,50 ponto percentual da Selic, confirmando a expectativa de que o “ajuste total do juro primário ficará limitado a 150 pontos-base”

Economia cresce 7,5% em 2010
Mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os números do PIB brasileiro em 2010, com crescimento de 7,5%. Em valores correntes, o PIB do ano passado foi de R$ 3,675 trilhões. Desta forma, o PIB per capita (valor total ponderado pela população) foi de R$ 19.016,00, crescimento de 6,5% em relação a 2009. Ao mesmo tempo, a taxa de investimento (formação bruta de capital fixo ponderada pelo PIB) em 2010 foi de 18,4% e a taxa de poupança (poupança ponderada pelo PIB) foi de 16,5%.

Desta forma, a economia confirmou a expectativa dos analistas e teve robusto crescimento no ano passado. Já na avaliação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, os números do PIB confirmam um “novo ciclo de expansão” da economia.

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se mostrou satisfeito com o resultado, afirmando que a taxa de crescimento estava dentro das previsões do governo. Segundo Mantega, o crescimento reflete a capacidade produtiva do País, mostrando o “potencial da economia e a nossa capacidade de crescer cada vez mais”.

Já para a presidente, Dilma Rousseff, o desempenho da economia no ano passado foi razoável. “É um número bastante razoável e demonstra que o Brasil tem capacidade de crescimento”, declarou.

Inflação
Após alguns recentes dados de inflação apontarem para desaceleração nos preços, a presidente do País afirmou que o governo está focado no ajuste da economia para evitar o aumento da inflação nos próximos anos. “Não vamos de maneira alguma deixar a inflação ficar fora de controle. Vamos ter um olho na estabilidade e outro nos investimentos”, afirmou Dilma.

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Mantega também se mostrou bastante otimista em relação ao tema. Ele reconheceu que o cenário inspira cuidados, mas argumentou que as pressões sobre os preços já estão diminuindo. Além disso, mesmo avaliando que a inflação de serviços deve seguir pressionada, o ministro aposta na desaceleração da economia nacional para conter parte do movimento.

“Ao longo de fevereiro, a inflação de alimentos caiu fortemente, assim como a de transportes e de educação”, comentou.

Salário mínimo
O brasileiro precisaria de um salário mínimo no valor de R$ 2.194,18 em fevereiro deste ano, para conseguir arcar com suas despesas básicas, de acordo com dados divulgados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A entidade verificou que são necessárias 4,06 vezes o valor do salário mínimo para suprir as demandas do trabalhador. O cálculo foi feito com base no mínimo de R$ 540, até então em vigor.

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Em janeiro, o valor necessário para suprir as necessidades mínimas do trabalhador era de R$ 2.194,76.

Contrato de abril de 2011 fechou com taxa de 11,66%
O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em abril de 2011, registrou uma taxa de 11,66%, estável em relação ao fechamento de quarta-feira. Ressalta-se o forte volume de negócios, com 2.182.646 contratos, em resposta aos ajustes de expectativas dos investidores.

A seguir confira o fechamento das taxas dos principais contratos de DI futuro na BM&F: 

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Vencimento Taxa atual Taxa anter Diferença Contr Neg
 Abril de 2011 11,66 11,66 0,00 2.182.646
 Maio de 2011 11,73 11,75 -0,02 38.460 
 Junho de 2011 11,91 11,92 -0,01 43.560 
 Julho de 2011 12,07 12,09 -0,02 900.295 
 Outubro de 2011 12,40 12,40 0,00 7.025 
 Janeiro de 2012 12,55 12,53 +0,02 531.513
 Abril de 2012 12,69 12,66 +0,03 14.030 
 Julho de 2012 12,79 12,74 +0,05 43.453
 Janeiro de 2013 12,83 12,77 +0,06 280.410
 Abril de 2013 12,84 12,79 +0,05 2.260
 Julho de 2013 12,86 12,77 +0,09 8.160
 Janeiro de 2014 12,79 12,68 +0,11 25.731