Avaliação do risco poderia ter evitado a crise, diz ex-prefeito de NY

Rudolph Giuliani afirma que ninguém foi cauteloso o suficiente para questionar quais riscos o bom momento da economia traria

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SÃO PAULO – “A não avaliação dos riscos foi o principal causador da crise financeira que começou nos EUA e se estendeu pelo mundo inteiro”. A afirmação foi feita pelo ex-prefeito de Nova York e empresário do ramo de seguros, Rudolph Giuliani, durante o II Fórum de Riscos realizado em São Paulo.

“Ninguém avaliou os riscos de tudo o que estava acontecendo na economia mundial e isso poderia ter feito toda a diferença, poderia ter evitado a crise. Todos acreditaram que era um ótimo momento, que tudo estava indo muito bem, e ninguém se preocupou em avaliar se as atitudes que estavam sendo adotadas, baseadas apenas nesse bom momento, poderiam oferecer um risco futuro”, afirmou.

Giuliani explicou essa afirmação usando exemplos. “Em determinado momento instalou-se nos EUA a política de moradia para todos, na qual se dava dinheiro a todas as pessoas, para que estas pudessem comprar suas casas, sem exigir nenhum tipo de entrada ou mesmo garantia de que pudessem arcar com a dívida. A atitude é bastante nobre, mas será que alguém se perguntou o que aconteceria se a maioria dessas pessoas não pudesse arcar com esse compromisso? Alguém avaliou esse risco? Não. Estavam todos confiantes demais de que nada daria errado, e ninguém pensou que era preciso ter cautela. Eu mesmo, há alguns anos, fui comprar um carro e queria comprá-lo à vista. Sabe o que o vendedor me disse? Não é vantajoso. Eu não darei um desconto pelo pagamento à vista e você facilmente conseguirá um financiamento. Mas será que não era mais seguro para ele ter em mãos o valor total do carro? Enfim, sem descontos, optei mesmo pelo financiamento. Só a título de curiosidade, era um carro da General Motors”.

No Brasil

Para o administrador Stephen Kanitz – que se apresentou no mesmo evento – a crise no Brasil só foi menos intensa porque a política adotada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi a de cautela, de avaliação de risco, mesmo nos momentos de maior prosperidade econômica.

“Gosto de dizer que o Meirelles não pensa como um economista. Os economistas acham que tudo é racional, que tudo pode ser previsto, que os riscos futuros são previsíveis. Quantos afirmaram, no início da crise: o dólar não passará de R$ 1,80, certeza, pode fazer o derivativo que não passa. E passou, não é mesmo?”, questionou Kanitz.

O administrador ainda completou: “E o Meirelles não. Ele foi inteligente. Pensou como um administrador socialmente responsável que sabe que não dá para prever o futuro. Que o que se pode fazer é avaliar os riscos e constituir reservas para os momentos não tão bons, e foi isso que ele fez!”.