Autoridades do BCE discordam sobre condições de compra de bônus

Novo programa ampliou a confiança dos mercados na capacidade das autoridades de controlar a crise da zona do euro

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SÃO PAULO- Autoridades do BCE (Banco Central Europeu) enviaram sinais conflitantes nesta quinta-feira (13) sobre as condições que eles querem que estejam relacionadas a seu novo programa de compra de títulos, apenas uma semana depois de o banco anunciar o plano.

O novo programa ampliou a confiança dos mercados na capacidade das autoridades de controlar a crise da zona do euro e o BCE precisa ter cuidado para que divisões internas não prejudiquem o plano desde o início, como aconteceu com sua ferramenta anterior de compra de títulos.

O banco fez com que qualquer compra de bônus governamentais tenha como condição que o país em questão solicite ajuda do fundo de resgate da zona do euro. Isso viria com contrapartidas rigorosas, em manobra cujo objetivo é acalmar os temores alemães sobre a estratégia do BCE.

A condicionalidade do plano “não está ligada a uma série de medidas a serem tomadas, mas ao progresso em uma certa direção”, avaliou, por sua vez, o presidente do banco central italiano, Ignazio Visco, em seminário na Universidade Roma Tre.

As declarações de Visco condizem com as de outra autoridade do BCE, o francês Benoit Coeure, que afirmou no fim de semana que o programa não envolveria necessariamente pedidos para que os países realizem mais cortes, porque alguns já deram passos fortes nessa direção.

Coeure é membro do Conselho Executivo que forma o núcleo do Conselho Administrativo do BCE, onde ele está a cargo de operações de mercado e supervisiona a implementação do novo programa de compra de títulos.

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Outro membro do conselho, o alemão Joerg Asmussen, parece ter adotado uma posição mais dura na sexta-feira, dizendo que o BCE só comprará títulos de um país se comprometer com “reformas duras”.

O membro do conselho e presidente do banco central estoniano Ardo Hansson mostrou posição similar à de Asmussen, dizendo que o BCE pode decidir contra a compra de títulos de um país se achar que o programa de resgate que essa nação assinou não é forte o suficiente.

“Se olharmos para um programa que seja aceitável para um país em particular e (o plano) acabar não sendo forte o suficiente, esse é um motivo ex-ante para dizer ‘não, eles não receberão o suporte do BCE'”, disse Hansson ao serviço de notícias MNI News em entrevista.