Aumento nas vendas e aquisições são destaques do Pão de Açúcar

Setor aquecido e eficiência operacional também são catalisadores; riscos ficam com processo da captura de sinergias

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SÃO PAULO – Sinergias geradas de aquisições, características das ações, projeções positivas para resultados e, sobretudo, fazer parte de um setor com ótimas perspectivas pelos analistas. São estes os principais catalisadores para as ações do Pão de Açúcar (PCAR5), uma das gigantes do varejo listadas na bolsa. 

Aclamado desde o início do ano como um dos setores preferidos dos analistas, o consumo e varejo liderou as carteiras recomendadas para fevereiro, apesar do desempenho negativo das ações das principais empresas no primeiro mês de 2010, com início da recuperação já neste mês, mas ainda mostrando desvalorização no acumulado do ano.

Ainda assim, boas perspectivas para a economia brasileira e a forte resiliência do consumo são as principais razões para apostar nas companhias.

Apesar da desaceleração do crescimento do País, o setor já vem desde o ano passado mostrando sinais de crescimento, com expansão de 4,7% no volume de vendas e 9,4% na receita nominal de 2008 para 2009, segundo dados do IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Crédito em alta
Com a expansão de 15% no crédito do País no ano passado, com recuperação acima do esperado por ser apenas um ano após a saída da crise, as perspectivas são positivas para este ano também. Segundo as projeções da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) o aumento na concessão de crédito deve ficar entre 18,4% e 18,6% em 2010.

“A carteira de trabalho assinada proporciona maior estabilidade e aumenta o número de pessoas com potencial para utilizar crédito bancário. Por isso, os bancos deversão manter o ritmo acelerado da expansão de crédito”, afirma Rafael Cintra, da Link Investimentos.

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O analista projeta um aumento superior a 8% para as vendas em 2010, apesar da forte base de comparação. Já para a taxa de desemprego, a expectativa é que caia para cerca de 7%.

Com o aumento do compulsório, entretanto, é possível que o cenário do crédito mude. Os analistas da Austin Ratings, que acreditam em alta na Selic apenas no segundo semestre, projetam aumento no spread dos bancos, o que elevará o custo sobre os empréstimos destinados à compra de bens e diretamente às pessoas.

Resultados devem confirmar boa fase
Apesar de estar no aguardo dos resultados do quarto trimestre de 2009, a serem divulgados na próxima terça-feira (2), a empresa já divulgou o cenário de suas vendas para o período, com desempenho forte, na avaliação de Renata Coutinho e Reinaldo Santana, analistas do Deutsche Bank.

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As vendas em mesmas lojas subiram 10,6%, contando apenas o Pão de Açúcar, e 22% se incluídas as vendas no Ponto Frio. “Enquanto o aumento das vendas de alimentos subiu 8,4%, o crescimento dos produtos não alimentícios foi de 17%, com os eletrônicos beneficiados de isenções fiscais e condições favoráveis ao crédito do consumidor”, explicam. Os números são para o resultado excluindo Ponto Frio.

“A tendência é de melhora na eficiência operacional”, acreditam Renata e Reinaldo. A expectativa dos analistas é que a margem Ebitda venha em patamares em linha com os últimos três meses de 2008, apesar de queda na margem líquida, com estimativas de 7,6%, 0,1 ponto percentual abaixo de igual período no ano anterior.

A recomendação dos analistas para o papel é de compra, com preço alvo de R$ 80,00, ancorado nessas expectativas positivas com relação ao resultado (para Ebitda, lucro líquido e receita, as expectativas são de altas de 15,5%, 12,4% e 17,6%, respectivamente).

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A analista Martha Shelton, do Barclays, acredita que após aumento nas vendas, o grupo deve mostrar melhores margens, mas o atraso nas sinergias com a aquisição do Ponto Frio – em função da transação com a Casas Bahia e congelamento temporário imposto pelo Cade – pode pesar nas projeções da analista.

Entretanto, a visão é positiva para o Pão de Açúcar, com confiança após os detalhes do plano de expansão de que os próximos três anos mostrarão forte capacidade de crescimento.

Valuation
Para Rafael Cintra, o acordo com o Itaú – trata-se da FIC, financeira gerenciada em parceria com o banco – fortaleceu o caixa do Pão de Açúcar e é um dos principais catalisadores para este ano.

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Sobre esse assunto, os analistas da Coinvalores destacam que a FIC deve mostrar resultados ainda melhores este ano, graças ao aumento da participação da venda de não-alimentos no portfólio da companhia.

A aquisição do Ponto Frio é um ponto positivo, com as estimativas da Link de que deva gerar sinergias de R$ 700 milhões, mas também é um risco: “a possibilidade de demorarem mais que o previsto para serem capturadas e de serem menores que nossa estimativa, além do baixo potencial de valorização das ações, nos fazem atribuir recomendação em linha com o mercado”.

A operação de comércio eletrônico e o braço imobiliário são vistos como fontes adicionais de valor. Do lado negativo, Cintra cita a alta no preço dos alimentos – “pode reduzir o ritmo das vendas” – e o retorno do IPI, impactando no desempenho dos produtos não alimentícios, que haviam postado forte desempenho ano passado em função do benefício fiscal.

Cade
No início de fevereiro, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determinou que o Pão de Açúcar e a Casas Bahia (associada ao grupo no final de 2009) deverão manter as atuais políticas de concessão de crédito ao consumidor. Além das estruturas de crédito, a entidade determinou que as duas companhias mantenham em funcionamento todos os estabelecimentos nos municípios onde existam simultaneamente ao menos uma das lojas de cada empresa, assim como os centros de distribuição.

Em nota, tanto o Pão de Açúcar como a Casas Bahia revelaram estarem satisfeitos com o acordo. “As empresas consideram o acordo positivo, na medida em que o Cade reconhece que não há necessidade de suspender ou congelar os efeitos da associação, sendo suficiente para dar conforto às autoridades durante o processo de análise, que as empresas adotem medidas pontuais que garantam a reversibilidade dessa operação”, destacaram.

Entretanto, a visão dos analistas foi diferente. “Enquanto não for anunciada a decisão final do órgão regulador, a empresa não conseguirá capturar as sinergias dessas operações”, afirma Rafael Cintra, que com isso mantém sua recomendação em linha com o mercado, apesar do bom desempenho do setor.