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SÃO PAULO – O Banco Central deve iniciar, em abril, um novo ciclo de aperto monetário. A sinalização foi dada por Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Sekular Investimentos e ex-diretor do BC, em entrevista ao Valor. Ele acredita que, depois da intervenção do BC no mercado na última sexta-feira (8), com a intenção de diminuir um pouco a queda do dólar, ficou claro que o câmbio não será usado como substituto dos juros no combate à inflação.
Na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que não está confortável com a inflação e com o fato de os reajustes de preços terem se espalhado pela economia. Para Figueiredo, esse é um sinal para acreditar numa intervenção do BC.
Ele frisa, no entanto, que quanto mais cedo a autoridade monetária agir, menor será o aperto monetário necessário para derrubar a inflação e melhorar as expectativas. Mas o aumento ainda não virá na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), entre os dias 5 e 6 de março. Na ocasião, um bom indício de uma alteração na política monetária seria o BC retirar da ata da reunião que o juro ficará estável por “período suficientemente prolongado”.
Porém, ele aponta: “não dá para esperar para subir os juros em julho e agosto. […] A inflação está num nível crítico porque não pode ir para 6%. Se for, o custo de trazer de volta e o tempo para fazer isso serão muito mais altos”.
Segundo ele, o ideal é que o BC não deixe nada para 2014, pois “nenhum banco central gosta de fazer aperto monetário em ano eleitoral. O ideal é fazer o ajuste e já ver o seu impacto no fim deste ano, início do ano que vem, assim, 2014 fica um ano tranquilo”.
BC quer inflação abaixo dos 5,84%
Para Figueiredo, o BC quer derrubar a inflação este ano para abaixo dos 5,84% do registrado no ano passado, mas para isso deve usar instrumentos clássicos, ou seja, o aumento de juros.
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O câmbio não será o instrumento, segundo ele, pois o crédito já não está crescendo como antes, e não parece ser o caso de usar medidas macroprudenciais. “O BC deixou claro que não vai usar o câmbio para segurar a inflação. O câmbio tinha caído por causa de uma declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o BC foi lá e fez uma intervenção trazendo a taxa um pouco mais para cima. Ficou claro que não é por isso. É possível até que o câmbio venha para R$ 1,95, mas não será usado para não ter que aumentar juros”, disse.