Publicidade
SÃO PAULO – No início desta semana, o Banco Central divulgou a atualização do relatório Focus, mostrando que a mediana das projeções para a taxa Selic em 2010 havia convergido para manutenção em 10,75% ao ano já a partir da reunião de setembro. Destoando do consenso, a LCA Consultores aposta em um novo aumento no próximo encontro, de 50 pontos-base.
Para a consultoria, a recém-divulgada Pesquisa Mensal do Emprego, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), “reforça nossa projeção de que a autoridade monetária opte por nova elevação da taxa básica de juros”. A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) acontece em 31 de agosto e 1º de setembro.
Conforme análise de Fábio Romão, economista da LCA, o rendimento médio habitualmente recebido subiu 5,1% na base anual, alta expressivamente superior à registrada em junho, de 3,4%. Com aumentos de 14,2% e 8,1%, os setores de construção civil e serviços a empresas destacam-se no período.
“É uma informação importante no sentido de que a massa continua crescendo – na verdade ela acelerou”, explica Romão. “É um sinal de que a economia ainda está crescendo em ritmo importante”, apesar da desaceleração prevista para o segundo semestre.
Cenário base vs. Consenso
Apesar de adotar a projeção de alta na taxa Selic na próxima reunião, a LCA admite “que as chances de manutenção não sejam pequenas”. Mas Romão explica que o BC está olhando para o longo prazo e uma elevação agora impediria uma nova alta no ano que vem.
Acontece que o cenário base da LCA não diverge do consenso apenas neste ano: a consultoria prevê mais uma alta na taxa Selic em 2010, mas sugere que esta seria a última deste ciclo de aperto. Em 2011, a estratégia seria a manutenção do juro básico.
Continua depois da publicidade
A maioria, por outro lado, prevê um cenário oposto: manutenção agora e alta no próximo ano, como mostra o relatório Focus. “É quase consenso que haverá uma elevação no ano que vem”, explica Romão, frisando as diferenças nas projeções da LCA.
Um outro ponto de divergência entre a consultoria e o consenso é a expectativa de inflação para o ano que vem. Levando em consideração seu cenário base – de aumento de 50 pontos-base na próxima reunião e manutenção do juro a partir daí – a LCA prevê que a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fique próxima do centro da meta em 2011, em 4,6%. Enquanto isso, o Focus mostrou uma alta na mediana das projeções para o índice no ano que vem, para 4,86%.
Por que agora e não depois?
Justificando a expectativa de uma derradeira alta neste ano, Fábio Romão explica que uma elevação agora aumentaria as chances da meta de inflação ser cumprida no ano que vem, já que a atividade responde de modo defasado aos juros.
Continua depois da publicidade
Além disso, parece mais coerente uma elevação ainda em 2010, ano em que os especialistas preveem um crescimento de 7,1%, do que em 2011, quando a expansão prevista é bem menor, de 4,5%, conforme o Focus. Vale lembrar que o cenário base da LCA não é tão otimista, mostrando projeções de avanço do PIB (Produto Interno Bruto) de 6,6% neste ano e 4,1% no ano que vem.