Aumenta apetite por risco dos japoneses ao investir

Pela primeira vez em 25 anos saldo em depósitos caiu, já parcela investida em ativos de risco cresceu 4,6% segundo constatou BoJ

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SÃO PAULO – A aversão ao risco dos japoneses parece estar chegando ao fim. Pelo menos é o que sugerem os dados divulgados pelo Banco do Japão (BoJ) sobre as tendências de investimento dos japoneses em 2004.

Depois das fortes perdas registradas pelo mercado acionário e imobiliário na década de 80, os japoneses adotaram uma postura extremamente conservadora na hora de investir. Essa postura fez com que a maioria da população optasse pelo investimento em depósitos bancários e na poupança junto ao Banco Postal.

Ao final de março deste ano, o total de depósitos em conta corrente e no Banco Postal alcançou 728 trilhões de ienes, o que equivale à metade dos ativos financeiros dos japoneses.

Retorno pouco atrativo

O saldo desses depósitos teria registrado queda de 0,7% nos 12 meses terminados em março, o que sugere que os japoneses estariam cansados do retorno próximo de zero oferecido por essas aplicações e estariam procurando por alternativas mais atrativas de investimento. Essa foi a primeira vez em 25 anos que os saques superaram os depósitos no Japão.

O BoJ tem sofrido pressões para rever sua política de “juro zero”, que não vem dando frutos em termos de recuperação do consumo, mas que tem pressionado o retorno dos depósitos bancários. Apesar disso, a autoridade monetária descartou qualquer revisão na sua política monetária antes de uma recuperação dos preços ao consumidor.

Nunca é demais lembrar que os japoneses respondem pela maior poupança privada do mundo, com um total de US$ 1,28 trilhão em investimentos, de forma que uma mudança na forma como investem seu dinheiro pode ter um impacto significativo no mercado internacional.

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Aumenta procura por risco

Em seu relatório, o BoJ também constatou que, ao mesmo tempo em que estão sacando recursos, os japoneses têm procurado alternativas mais agressivas de investimento, o que inclui o investimento em ações, direta ou indiretamente via fundos, e em moedas estrangeiras.

Na visão de alguns analistas financeiros, a tendência é extremamente positiva, pois, além de indicar uma maior confiança na recuperação da economia, os japoneses estariam alimentando a recuperação do preço de alguns ativos, como já vem acontecendo em segmentos específicos do mercado imobiliário, o que, por sua vez, deve criar condições ainda mais favoráveis ao crescimento da economia.

A procura por alternativas de investimento mais rentáveis não chega a surpreender, sobretudo, se considerarmos a expectativa de vida dos japoneses, a maior do mundo. Isso exige uma gestão mais eficiente do patrimônio, visto que os benefícios pagos pela Previdência Social tendem a ser revistos diante da queda no número de contribuintes. Essa tendência deve se agravar ainda mais com a queda da população japonesa prevista para começar a partir de 2006.

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Novos produtos devem ser lançados

Se de um lado os depósitos bancários registraram queda de 0,7%, os investimentos através de fundos cresceram 12,1%, tendência que foi acompanhada pelos títulos estrangeiros (7,3%) e pelos depósitos em moeda estrangeira (2,3%). Depois de um crescimento de 57% no período entre 2003 e 2004 o total investido em ações avançou 1,3% no ano passado.

O relatório conclui que o saldo de todas as categorias de ativos de risco teria crescido 4,6% no mesmo período, para um total de 133 trilhões de ienes. Apesar do avanço, o BoJ ressalta que o montante aplicado em ativos de risco ainda é baixo no Japão, de apenas 9,4% do total dos ativos financeiros frente a 30% em países como os EUA, por exemplo.

Ainda assim, a tendência já vem atraindo a atenção das grandes instituições financeiras que atuam no país, que já estudam o lançamento de novos produtos para atender à demanda dos investidores no Japão. A diversificação é um processo natural do sistema que vem sofrendo com a queda nas margens e redução na demanda por crédito dos últimos sete anos.