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SÃO PAULO – Os bons resultados conjunturais divulgados recentemente na maior economia do mundo acarretou diversas especulações a respeito da consistência da recuperação econômica.
As dúvidas frente à característica dessa recuperação têm afetado diretamente as bolsas nos Estados Unidos e no mundo, uma vez que muitos investidores estão preocupados quanto à real capacidade do crescimento econômico e seu efeito no mercado financeiro.
Indicadores comprovam recuperação econômica
Os bons indicadores econômicos anunciados nas últimas semanas refletem, indubitavelmente, uma melhora na economia norte-americana, com considerável elevação do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e melhora nas taxas de desemprego, consumo e produção.
O aumento do consumo no terceiro trimestre de 2003 foi evidenciado pela taxa anualizada de crescimento econômico de 7,2% no período, muito acima do esperado. O aumento no consumo veio em paralelo com um aumento na produção, evidenciado pelo maior no nível de atividade industrial nos Estados Unidos.
O aumento na produção, por sua vez, acarretou uma redução na taxa de desemprego, que veio abaixo dos 6,1% esperados pelo mercado, atingindo 6,0% em outubro, frente a 6,1% em setembro.
Portanto, que está havendo uma recuperação econômica da maior economia do mundo, não há dúvidas.
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Consistência da expansão deve ser mensurada
Entretanto, não se sabe qual a consistência de tal recuperação, qual sua verdadeira dimensão. Enfim, ainda falta determinar a qualidade desse crescimento.
Para especular a respeito de tais fatos, pode-se comparar essa expansão com as duas que aconteceram no 80 e 90.
A grande diferença entre essas duas expansões e a atual são basicamente duas.
A primeira está relacionada à questão do nível de alteração dos preços. Sabe-se que nas duas expansões econômicas ocorridas nas duas últimas décadas, o Federal Reserve atuava contra a inflação. E as medidas adotadas pelo Fed foram eficazes, uma vez que nos dias atuais a inflação está sob controle. Nesse sentido, a luta atual é contra a deflação, que pode ser uma ameaça tão grande quanto à própria inflação, uma vez que a deflação inibe o consumo e afeta os investimentos.
A segunda diferença entre as expansões está no saldo em conta corrente, a diferença do comércio de mercadorias e serviços dos Estados Unidos com o restante do mundo. Os negativos em conta corrente do país de maior economia do mundo, até o final do século, sempre haviam sido equilibrados com folga pelo fluxo de capitais, ávidos por segurança e pela rentabilidade que os títulos do Tesouro americano oferecem.
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Nos últimos anos, com a forte redução das taxas de juros, o nível do desequilíbrio comercial atingiu tornou-se insustentável, sendo esse mais de 4% do PIB. A dimensão que tal problema representa pode ser evidenciado se pensarmos que o investimento direto estrangeiro, que chegou a financiar 91% do déficit em conta corrente dos EUA em 1999, correspondeu a apenas 43% em 2002.
Atual expansão pode ser inferior às anteriores
Assim sendo, alguns analistas acreditam que, devido a essas duas diferenças, consideradas fundamentais, o atual crescimento econômico não deve ter a dimensão e nem será tão consistente quanto os dois que ocorreram nas últimas décadas.
A importância de levar tais análises em consideração é de extrema relevância, uma vez que investidores podem estar apostando em ativos financeiros mais agressivos na espera da ocorrência de uma expansão econômica nos moldes das anteriores, superestimando, assim, o valor deste ativos.