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SÃO PAULO – O Bundesbank, Banco Central alemão, avisou: o país já está dando sinais de desaceleração econômica. E isso pode fazer com que a principal economia da Europa tenha que se flexibilizar, o que pode ser positivo para os esforços contra a crise na zona do euro, avalia Daniel Cunha, da equipe de análise da XP Investimentos, já que a quantidade e qualidade das medidas podem aumentar.
A situação do mercado de trabalho já não é visto com bons olhos pelo Bundesbank, já que cada vez menos as empresas estão dispostas a contratar. Isso é uma decorrência da queda da confiança do empresário alemão, que voltou a recuar pelo 5º mês consecutivo. Com isso, a Alemanha, que cresceu 0,5% no primeiro trimestre, pode ter crescimento zero no segundo e no terceiro trimestre, jogando a Europa em recessão.
“Ela será ‘forçada’ a se flexibilizar, gradualmente aceitando maior transferência fiscal, maior tolerância à inflação e piora no crédito, ou seja, a Alemanha está sendo obrigada a passar por uma ‘Socialização das perdas'”, avalia Cunha. Para ele, essa flexibilização será apenas gradual, o que deve fazer com que a atividade ainda permaneça em níveis baixos por algum tempo. “Fica difícil imaginar uma recuperação mais pronunciada da economia mundial no curto prazo”, acredita.
A principal referência no país deve ser a eleição de 2013, que determinará todas as 598 cadeiras do Bundestag, o parlamento germânica. Por enquanto, a perspectiva é de uma vitória do partido da chanceler Angela Merkel, o União Democrática Cristã. Uma piora da economia alemã bota em risco as chances de uma reeleição, o que pode fazer com que o governo de Merkel utilize de novas medidas para estimula-lá.
“Será pouco para mudar a percepção com o bloco, pois a dinâmica de ‘soluções parciais’ continuará prevalecendo”, avalia. Para ele, essas medidas ainda devem ser incrementais, e os passos para avançar nas reformas estruturais ainda devem continuar lentos. Por agora, nada a temer: a desaceleração da Alemanha não é algo que muda muito a cara da crise europeia, só mostra a gravidade da situação. Ao perder a locomotiva alemã, a Europa pode perceber que é hora de agir.
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