Ativos de risco continuam sendo uma opção atrativa, afirma Bob Doll

Presidente da BlackRock mantém visão bullish, apesar de ressaltar fatores que podem pressionar negativamente os mercados

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SÃO PAULO – Os mercados internacionais têm sofrido desde o início da semana com a intensificação das manifestações populares no mundo árabe, especialmente na Líbia, e a retaliação agressiva dos governos da região. Mas, apesar do recente clima de cautela nas bolsas, o estrategista-chefe e gestor dos fundos Large Cap da BlackRock, Bob Doll, acredita que os ativos de risco continuam sendo uma opção atrativa de investimentos.

Destacando o avanço dos mercados na última semana, o executivo avalia que “o rali de curto prazo está fazendo com que alguns investidores se perguntem sobre quanto tempo isso deve durar”. Além das tensões geopolíticas, Doll também menciona outros fatores nos quais os investidores deverão ficar de olho, como “as economias com elevado nível de dívidas, o resquícios de problemas com crédito durante a crise financeira e a inflação nos países emergentes”.

Apesar disso, a surpresa positiva com os indicadores econômicos divulgados nos últimos seis meses nos Estados Unidos tem servido como base para as projeções otimistas do gestor da BlackRock. De acordo com o executivo, esta tendência se deve ao fato de que em meados de 2010 o mercado começou a precificar fortemente uma possível recessão dupla norte-americana, ou a chamada “double-dip recession”, o que não ocorreu.

“Neste momento, muitos investidores estão se dando conta de que o cenário se tornou muito menos deteriorante, mas ninguém está sugerindo que todos os riscos já passaram completamente”, avaliou Doll, que acredita em um futuro econômico norte-americano altamente dependente das condições do mercado de trabalho do país. “Se o crescimento do mercado de trabalho acelerasse (e nós acreditamos que irá) teriamos um grande avanço em termos de recuperação econômica e expansão autossustentável”, completou.

Inflação em foco
De maneiras distintas, a inflação segue como um catalisador para os mercados internacionais. Enquanto os governos de países desenvolvidos buscam evitar a deflação, nas economias emergentes o quadro é justamente o oposto, com crescimento acima do esperado nos preços. “Ao contrário dos emergentes, a inflação nas economias mais desenvolvidas é bem menos influencida pelos preços das commodities e muito mais pelos custos do mercado de trabalho”, afirmou Doll.

O presidente da BlackRock não acredita que, em meio ao elevado nível da taxa de desemprego nos Estados Unidos atualmente, patamares mais elevados de inflação sejam iminentes. Por outro lado, o executivo destacou que o contínuo avanço dos preços nas economias emergentes está relacionado ao forte crescimento econômico dos últimos anos.

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“A recessão global atingiu fortemente o mundo desenvolvido e causou um excesso de capacidade com fracos níveis de demanda – tendência esta que ainda pode ser vista e que está ajudando a manter a inflação em xeque. As nações emergentes, contudo, continuaram a crescer durante a recessão global e agora estão se beneficiando de um impulso adicional uma vez que a recuperação global ganha corpo”, contextualizou Doll, apostando em novas rodadas de aperto monetário daqui para frente, promovidas pelas autoridades das nações emergentes.