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SÃO PAULO – Após atrasos e encarecimento em 160% no projeto da CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), a Thyssenkrupp pode vir a pedir a colaboração da sócia minoritária no empreendimento, a Vale (VALE5).
O grupo alemão detém 90% da participação no negócio; a mineradora brasileira, por sua vez, possui 10%. No entanto, segundo apuração da Folha de São Paulo, a participação da Vale pode ser ampliada para até 30% do empreendimento.
Para os analistas da Ativa, a questão pouco deve impactar as operações da companhia brasileira, pois a Vale não se disponibilizará a desembolsar até US$ 900 milhões por um negócio no qual quer justamente diminuir sua participação minoritária.
Além disso, a mineradora não está obrigada por nenhuma cláusula contratual a tomar parte mais substancial na empreitada e a siderúrgica já está em fase final de construção, o que faria o Thyssenkrupp resistir a uma parada.
Mês adverso
Mas nem tudo é tão neutro. Segundo dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o mês de maio verá uma queda brusca nas exportações brasileiras de minérios – com destaque para o de ferro, principal componente das exportações deste tipo de commodity.
Até o dia 24 de maio, a média registrada para os envios ao exterior foi de US$ 39,8 milhões ao dia, ou seja, contração de 46% sobre a média diária vista em mês imediatamente anterior.
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Se o anúncio final dos números de maio para as exportações de minério confirmar essa tendência contracionista, pode-se esperar por uma queda violenta nas exportações da Vale, trazendo a debate a suposta recuperação da demanda chinesa pela commodity.
Demanda chinesa e barganha
Ainda sob a perspectiva dos analistas da Ativa, é claro o viés potencialmente negativo do fenômeno. Apontam, contudo, duas possíveis explicações para tamanha retração: a primeira seria de que a demanda chinesa por minério de ferro não está tão estimulada quanto se supõe; já a segunda seria de que os altos volumes importados pela China tinham apenas o intuito de estocar um maior volume de matéria-prima.
Porém, há uma outra possibilidade. Haja vista a continuidade da robustez da produção de aço e os estoques estáveis a aproximadamente 70 milhões de toneladas nos portos chineses, os especialistas da corretora acreditam que o recuo das compras do país faz parte de uma estratégia de pressão sobre as mineradoras.
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O objetivo seria o de negociar um preço para o minério de ferro menor do que os que haviam sido fechados, por exemplo, entre os sul-coreanos e japoneses e a Rio Tinto. Esta, para a Ativa, soa como a possibilidade mais plausível.